domingo, abril 26

FAZER-TE O AMOR

Quero fazer-te o amor enquanto dormes. Agora.
Neste instante de tempo, este presente, este existires,
neste minuto que passou, neste viver-te que sinto.
Tenho o olhar em ti e é o momento certo.
Afasta esse lençol quente de tua presença,
a minha pele é a seguir.
Melhor, deixa que eu afasto, continua adormecida em sonho,
permanece assim, quieta, eu farei tudo.
Serei eu a despir-te essa roupa interior minúscula,
a do corpo porque a da alma despe-te o sono.

Quero humedecer-te os centímetros do corpo com desejo,
soprar-te com a boca ansiosa a loucura adiada,
abraçar-te como se não houvessem mais segundos,
como se em nós tudo fosse primeiros.
O primeiro beijo, o primeiro toque, o primeiro sentir,
a primeira vez...
Lembras-te?


Quero fazer-te o amor enquanto dormes porque é sonho.
Quero fazer do meu corpo boleia para as tuas nuvens e que não pares.
Quero dar-te o céu embrulhado na horizontal, ou na vertical ou tanto faz...
tens preferência pela posição ou forma da intensidade?
Eu só quero respirá-la... Quero-te a toda a intensidade.

Quero fazer-te o amor enquanto dormes e deixar descansar a realidade...
Sejamos noite, que sejas o escuro e eu a tua sombra...
ELOGIO AO AMOR PURO

"Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas. Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.

O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição.. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É anossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.

Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.

A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."

Miguel Esteves Cardoso

segunda-feira, março 23

ODE À ILHA


Tenho uma ilha,
o meu lar,
um lugar onde não cabe o mundo inteiro,
onde encaixo-me eu e todos os meus pedaços,
onde respiro paz ,
onde o sol não se esgota,
onde a chuva cai em ritmo de optimismo.
Baptizei-a de Marlene Fernandes,
nome que lhe sorri perfeitamente.:-)
Tem um abraço que me arrepia a alma inteira,
que conforta, protege e inebria.
É uma ilha em forma de mulher,
é quente e brilha nas suas formas sexy inconfundíveis.
Tem um olhar que me despe sem tocar,
veste alegria que contagia a sombra do próprio negro
e faz cócegas ao mais taciturno ser.
Na ilha o vento tem sopros de tranquilidade,
tem rasgos de imaginação ferozes,
tem beijos melosos que contornam o tempo.
A minha ilha é o mais próximo que estarei do céu,
tem faróis de positivismo que não se apagam,
onde tempestades temem escurecer.
A minha ilha é paraíso onde a ilusão de perfeição impera,
um local onde tudo tem cores de intensidade.
Amo a minha ilha, e, frequentemente,
distraído, volto a apaixonar-me,
e todas essas viagens têm sabor de primeira vez,
sabem a inocência de criança feliz por descobrir,
sem receios, sem pontos de interrogação, só reticências...
Essa certeza de que é só começo, que há muito mais, que és muito mais,
e que posso ser muito mais... contigo...
Permitam que me perca na minha ilha... Estarei feliz...

domingo, março 22

DECLARAÇÃO

"Eu reconheço o amor quando o vejo..."

terça-feira, março 10

LUCÊMIO LOPES

"Não sei se minh'alma nasceu para escrever. Só sei que se não escrever, ela morre"

NEGAÇÃO

Não sou todo poema.
O meu corpo não é só feito de rimas
nem de palavras cúmplices unidas em abraço.
Não saio à rua vestido de metáforas todos os dias.
Não estou sempre calçado de utopias.
Os meus olhos não são versos abertos como se não houvesse noite.
Não sou espelho de inocência pura.
Não sou ingenuidade a movimentar-se em transparência.

Não sou muito mais que isto... Estas reticências...
que se vão repetindo...

terça-feira, fevereiro 24

AMOR À FRENTE DOS OLHOS

Vejo o amor à minha frente,
perdido na rua vazia,
vai meio despido ou talvez meio vestido,
está descalço, isso é certo.
Anda confuso, ziguezagueando entre a gente,
diria que ninguém o vê, ou talvez finja não ver.
pensam poder ignorá-lo.. faz-me rir às gargalhadas...

Vejo só amor à minha frente,
parece não ter rumo, é de quem o pegar,
pegas tu? despacha-te.
vais dizer-me que não o queres?
Tens algum receio?
Dizem que não é para todos,
deixo-o para ti.
Agarra-o. Não te acanhes...
Ninguém está a ver...
Solta-te em vida, não direi a ninguém.
Fica segredo nosso.

domingo, fevereiro 22

SERÁ?



"Só um amor incompleto permanece verdadeiramente romântico..."


Foi só um momento...

sexta-feira, fevereiro 20

SEM TÍTULO

Hoje morro aos pedaços...
Estou triste.
Hoje não há eufemismos para o sofrimento,
não há ilusões, nem magia com as palavras,
hoje as palavras são cruas, vestem vermelho de sangue.
Hoje não me disfarço de poeta que finge a dor de Pessoa,
hoje sou mesmo ninguém e choro.
Choro de impotência.
Choro de fraqueza,
de sensibilidade, porque queria poder ser frio.
Hoje despi o optimismo e fiz-me humano.
Hoje feriram-me a vida,
arrancaram-me um pedaço do peito e ofereci a alma inteira.
Hoje grito luto em processo,
parece que não termina, ecoa no meu respirar.
Sou EU, falo de mim, DÓI-ME....
Não finjo, não escrevo por escrever,
dor rima com sofrimento tal como descrito,
não sou ficção, sou realidade a desvanecer...
Não quero dizer mais...

quinta-feira, fevereiro 19

RASCUNHO

Sei onde encontrar-te.
Ficaste na regularidade do tempo,
vi-te ontem na elasticidade da mente,
tinhas o passado em frente dos passos.
Sei como ter-te,
transformo-te em presente.
Tenho o dom da manipulação,
não resistas.
Ignora o mundo inteiro e a dor nos olhos,
faz-te existência no meu corpo,
abraça-me em inconsciência.
Desfaz-te dessas defesas inúteis,
oferece à ânsia toda a tua vontade.
Faz-me tremer no peito o rascunho de um poema,
o teu toque.
Não me importo que termines os versos mais tarde.
Apenas avisa-me com antecedência...
INCOERÊNCIA COM SENTIDO

Estas palavras que digo, que escrevo,
palavras que solto, que desprendo, que condeno,
palavras que sonho, que vivo, que ignoro,
estas palavras, só palavras sem característica, que vivem e são independentes,
estas palavras que são pedaços,
pedaços de tudo e ás vezes também de nada,
palavras que me preenchem ou são só metade de mim,
quando não quero que sejam eu inteiro e as castigo,
EU sou elas despido, e elas eu ao mesmo tempo,
juntos somos nus de alma, nus de forma, aldrabados de conteúdo.

Por vezes sou sem nexo se não sou sempre,
mas quando sou sempre foi porque o nexo ganhou vida e fugiu,
eu não vou atrás, quero lá saber dele que se foi porque quis.
Quando tenho que procurar sei que está escondido em mim,
se quiser vir palavras que se transforme e eu não terei acção.
Ficarei anónimo que também é bom,
desconhecido, poderia ser sinónimo de livre se bem entendo
ou então de confuso que diz que é interessante do mesmo modo.

Até gosto quando me visto assim de palavras,
importante claro é despir-me de sentido, ou então dos sentidos todos.
Palavras de ilusão, inverdade em forma de palavras,
seria mais fácil dizer mentira mas não apeteceu,
agora não apetece simplicidade porque traz tédio, talvez mais logo,
no segundo antes do sol se ir (seria correcto dizer se por?)
ou então a lua se vir, que parece mal, não?
palavras dependem da mente.. que decidiste?
Se me adulteras palavras deixo de ser, achas que passo a ser tu?
ou passo a inexistir e a ser ninguém?

Palavras avariadas estas, tenho esperança que sim,
caso contrário irei denominá-las palavras desperdiçadas,
ou maltratadas, unidas pelo acaso rumo a devaneio qualquer, anunciado...
Deviam prender-me sem palavras, sou culpado, não tenho dúvidas…

quarta-feira, fevereiro 4

APROVEITA O DIA (Walt Whitman)

Aproveita o dia,
Não deixes que termine sem teres crescido um pouco.
Sem teres sido feliz, sem teres alimentado teus sonhos.
Não te deixes vencer pelo desalento.
Não permitas que alguém te negue o direito de expressar-te, que é quase um dever.
Não abandones tua ânsia de fazer de tua vida algo extraordinário.
Não deixes de crer que as palavras e as poesias sim podem mudar o mundo.
Porque passe o que passar, nossa essência continuará intacta.
Somos seres humanos cheios de paixão.
A vida é deserto e oásis.
Nos derruba, nos lastima, nos ensina, nos converte em protagonistas de nossa própria história.
Ainda que o vento sopre contra, a poderosa obra continua, tu podes trocar uma estrofe.
Não deixes nunca de sonhar, porque só nos sonhos pode ser livre o homem.
Não caias no pior dos erros: o silêncio.
A maioria vive num silêncio espantoso. Não te resignes, e nem fujas.
Valorize a beleza das coisas simples, se pode fazer poesia bela, sobre as pequenas coisas.
Não atraiçoes tuas crenças.
Todos necessitamos de aceitação, mas não podemos remar contra nós mesmos.
Isso transforma a vida em um inferno.
Desfruta o pânico que provoca ter a vida toda a diante.
Procures vivê-la intensamente sem mediocridades.
Pensa que em ti está o futuro, e encara a tarefa com orgulho e sem medo.
Aprendes com quem pode ensinar-te as experiências daqueles que nos precederam.
Não permitas que a vida se passe sem teres vivido...

sexta-feira, janeiro 23

PALAVRAS SIMPLES

Acredito que a vida tem os seus momentos únicos, inigualáveis.
Penso, contudo, que todos os momentos são importantes.
Acredito que os sentimentos nos chegam como as estações do ano, todos tem o seu tempo e diferentes intensidades.
Acredito que todos temos os nossos negros e os nossos frios e que nos são tão indispensáveis como o quente e o vermelho.
Acredito em pedaços de felicidade suspensos, pendentes de nós.
Acredito que viver é uma questão de atitude.
Acredito que o positivismo e o optimismo poderiam ser a principal oração de todas as religiões. O pessimismo e o negativismo não trazem vantagens nenhumas, dou primazia ao pragmatismo.
Acredito que perseverar na procura é já encontrar, entendo que o benefício está no processo, encontrar é a cereja no topo do bolo.
Acredito no uso do livre-arbítrio, no uso da liberdade e na sinceridade como exigência.
Acredito que errar é crescer forçadamente, isso já acontece com o corpo, é a forma da mente o acompanhar.
Venero quem se acompanha da sensibilidade quando vai para o meio do mundo, ir sozinho é um risco desnecessário.
Sou a favor da realidade mas não me inibo de sonhar, acordado, e gerir assim a caixa de velocidades que lhe confere dinamismo.
Gosto de ter sensações… Gosto de saber que existe vento porque o sinto, de dançar no meio da rua porque o meu corpo tem ritmo, de respirar o mar pelo nariz e inalar a sua imensidão porque sim…
Acredito que ser parvo é uma característica interessante, evita o afogamento no que a vida tem de sério.
Gosto de beijar para saborear o doce.
Gosto de abraçar porque o meu corpo tem necessidade do toque e porque tremer de intensidade não tem preço.
Tenho a cor do sol no peito e a lua presa nos olhos por isso não existem cantos escuros onde não me apeteça.
Sou grande e forte nas paredes da alma porque me alimento de tranquilidade.

Não posso ser definido.

terça-feira, janeiro 20


strong>VOU APAGAR A LUZ E FECHAR O MUNDO

Chega mais perto, aconchega-te no meu abraço.
Encaixa-te nos meus sentires, tu conheces o caminho.
Segue na extensão do teu corpo, estou à porta do desejo,
a olhar para ti...
Linda e resplandescente.
Fica perto, faz frio lá fora,
não me interessa o mundo inteiro, o calor da tua pele chega-me.

Olha-me nos olhos. Sentes?
É o efeito que produzes em mim.
Aqui é sempre quente, aqui tudo é claro.
Tás acesa em mim, escureces o resto.
Fora de ti só há mesmo o resto, e é escuro, e tem sombras.

Eu quero-te.

Sorri para mim, despe-me.
Não tenho inquietações, já derretemos todo o gelo.
Anseio pelo teu beijo. Como caracterizá-lo?
É doce. É suave. É tranquilo e inspira-me.
É o silêncio assumindo o êxtase da sua metamorfose.
Cala-me nos teus lábios, as palavras estão em excesso.
Vou apagar a luz e fechar o mundo.
AMOR

Onde te escondes em mim?
Em que centímetro de pele?
Em que pedaço de sonho?
Em que rasgo de tempo?

Sinto-te agora, presente nos traços que me desenham o corpo.
Tenho a alma resignada à condição de tela,
escrava do teu interesse...
Sou dependência em forma de arte nas tuas mãos....

Amor,
faz-te carne e alimenta-me.
Torna-te líquida nas minhas veias,
realiza-te rimo no meu respirar,
existe na intensidade do meu olhar,
substitui o desejo na minha voz...

Toca-me...

segunda-feira, janeiro 19


TEMPO LÍQUIDO


A espera continua enquanto o tempo desliza pela realidade abaixo, líquido como sempre, difícil de petrificar, revestido de frieza insustentável...

O CANSAÇO DE TODAS AS HIPÓTESES

Gostaria de poder escrever mais frequentemente, expelir palavras pelos poros sem cessar, não por ser uma questão de necessidade, suporto tranquilamente a ausência de sol porque a noite não me inquieta, acontece que me bate no peito o "cansaço de todas as hipóteses" e por isso amordaço as opções para não ter de agir. Sim porque há um segundo em que a vida me cansa de a ter agredido. Então paro...

sábado, janeiro 17

CONFISSÃO

Quero que fiques.Melhor, não queria que fosses.
Será correcto dizer,não queria que tivesses ido?
Essa não é a questão essencial,
aliás, se "o essencial é invisível aos olhos", o essencial és tu.
Fazes parte do ter ido dos olhos e ter ficado no pensamento ,
por isso doem-me os olhos,
dessa cegueira da tua ausência.

Chegas-me incontornavelmente, diariamente,
vestida de noite,de escuro, de breu,
acendes-me na memória como estrela brilhante, a polar,
no alto desse abismo que sou por não estar em ti.
Na realidade se pensas estar longe enganas-te.
Tenho-te presa numa tatuagem debaixo da pele,
aqui ninguém te vê mas dóis-me e sangras-me na consciência
com uma lucidez feroz que me contorna a alma inteira.

Apetece-me sempre violar a tua existência,
contudo tenho tendência a relativizá-la,
é o melhor para ti,
coloco-a por detrás das costas e torno-a enigma
protegida pelos ombros largos.
Deixaste rasto nos beijos suspensos,
nos puzzles que toques faltam para completar.
No fazer amor que ficou incompleto porque teu corpo falta-me,
parece que me vesti de inverno mas tu é que és o frio.

Sei onde estás mas é injusto já pensar-te,
seria monstruoso alcançar-te...subir aí em cima,
no cume da loucura, seria excesso de egoísmo
por dar corpo a uma queda já iminente.
Estou a despir-me à tua frente
para me baptizar de crença,de joelhos no chão,
fere-me a sinceridade, a confissão é acto imperativo.. eu confesso...
Se estas palavras tivessem rumo,
se pudessem perder-se no norte da saudade,
onde a ilha se esconde, iluminada pelo farol, que sei ser sempre constante,
esse optimismo
que não se apaga,eu não ambicionaria mais nada,
apenas a realidade, tranquilidade apenas...

Nada de sonhos em noites de lua cheia,
nada de ilusões líquidas em veias danificadas de vício...
Nada de loucura a afogar-se em intensidade,

A falta congela-se...É triste...
Estas palavras não são minhas,
eu é que as pertenço,
eu sou as palavras e
quando te ausentas s
ou ainda menos que isso..
mas quando vens deixo de ser...
és tu por mim.

Queria que fosse fácil,
aliás tudo é fácil,
eu é que sou díficil...
RASGOS DE ESPONTANEIDADE

Adapto-me bem às palavras,
é um mundo que me tem à parte,
onde as perspectivas dependem do ângulo da imaginação.
Num rasgo de espontaneidade,
abraço o sol inteiro sem ter de dividir-lhe os raios,
caminho sobre os 7 mares sem ter de anestesiar
ondas revoltadas.
Observo o outro lado do kilimanjaro
sem abrir túneis pra escurecer a cegueira.
Agarro nas mãos o tempo,
configuro-lhe da infinitude que achar conveniente.
Faço-me kilómetro que veste o vento,
absorvo o espaço na minha pele.
Espontaneidade,
vontade imediata de dar ritmo ao inexistente...
Eu, quase frustrado,
numa tentativa desesperada de acorrentar em mim inspiração.
Eu, disfarçado de Carnaval,
mascarado de revolta espontânea,
de impotência insana,
de incoerência escrita...
ARREPIOS DE SENSIBILIDADE


Hoje é dia interior de sentir,é dia de beber de penalty emoções recalcadas,é dia de embriagar o coração com sentimentos líquidos. É tempo de soltar lágrimas pelos olhos da alma, de ter segundos para lamentar o passado ausente. Hoje a liberdade é respirar lembranças compulsivamente, é derreter a frieza no olhar quente do revivalismo. Abraçar o momento em que tudo parecia ser possível e desprender nele o presente activo. Hoje a voz grita sonhos adormecidos e a pele despe as feridas semi-abertas, meio cicatrizadas. Hoje sou todo arrepios de sensibilidade..
Porque me apetece...
COM O ESCURO PRESO NA VOZ

Estendo a minha alma pelo chão,
faço do corpo inteiro pensamento.
Visto frio e disfarço-me de inverno
num carnaval fora de época.
Petrifico o movimento,
faço da inércia liquidez a enfervescer e, do tempo,
roubo a infinitude.
Escrevo palavras claramente estúpidas,
estupidamente armadas de incoerencia.
Garanto que não as percebam.
Faço a noite circular-me no sangue,
o escuro a sair-me pela voz,
grito intensidade pelos poros,
depois... espero...

O TEU CORPO NUM SONHO


É agora, neste segundo a passar...
Violo de luz o negro a que chamas adormecer.
Sou o sonho que a tua ilusão inconsciente quis acender.
Abraço o nú do teu corpo desprotegido,
desenho nele pedaços de perfeição,
concretizo a irrealidade dela existir.
Desfaço o desejo em beijos na curva dos teus seios,
lábios a deslizar em modo automático a ignorar
as regras do pudor.



É agora, segundo efémero que perdura,
o tempo tem a velocidade que lhe atribuir.
Tenho a ponta dos dedos a ordenar um tremor de prazer
na tua pele,
podia também ser explosão
se fizesse da palma da mão rastilho e do meu olhar,
fósforo de intensidade.


É agora, um segundo paralisado na minha vontade,
é transparente a cor da ânsia.
Emana da tua pele magnetismo húmido e pinga em mim
em forma de transpiração...
Teu sexo é oceano de loucura, e eu,sou louco,
a querer suicidar-me por afogamento...
Estou adormecido no tempo que se apagou,
o sonho és tu.


Quero-te realidade...

quarta-feira, junho 11

ABRAÇA-ME BEM...

Rendo-me...

Acendo a escuridão no mundo por o teu olhar se acender em mim..

Visto-me rasto de uma estrela cadente,

sombra dessa madrugada que te envolve...

Sou pedaço de sonho,
pedaço que teu abraço pode colar através desses gritos sufocados, amordaçados pela minha verde esperança....

Terei voz na intensidade desse teu olhar penetrante, que me rasga a alma para poderes entrar...

Abres em mim a janela de um céu optimista onde nossas almas se enroscam como quente e fogo, céu e luar, cor e arco-íris...

Abraça-me bem...

Toco-te com o olhar intenso para gelar a acção despida de um abraço a fugir de mim..


Silencio o beijo pendente de ti amordaçando os lábios com a manutenção da distância...

Quero-te para aclarar a noite mas ofusco das estrelas o brilho..

Estou aqui e carrego o meu corpo..prendo-o no petrificar do movimento mas não me iludo..


O meu querer-te é apenas mudo... mas pode ser lido, está escrito..

Abraça-me bem...

quarta-feira, junho 4

SUAVE DESFALECER...

Estendo os meus braços no chão em forma de abraço,
sei que a tua alma me vai pisar por me colocar a jeito....
Queria proteger os meus sonhos,pintados de luz,
sinto que os queres emoldurar com as cores das sombras,
Queria munir-lhes de segurança,
do escudo que impede que lhes atinjam as balas de uma realidade perdida...

Contudo,

Desvanecem-me os sentidos na acção de tentar,
caem por terra os pilares que sustentam a lógica de resistir na ausência da crença,
a vida persiste no acontecer, o vento renasce das cinzas e sopra a arder na pele a realidade.

Fogem-me os vestígios de ideias apenas por fraqueza,

Rendo-me...

Entrelaço a minha alma na tua, no azul que lhe pinta a imensidão,
acaricio o horizonte do optimismo incessante que emana da tua pele,
beijo a húmida tranquilidade que ondula na suavidade dos teus lábios...

Ajoelho-me perante o mundo a olhar,

Solta-se de mim um pedaço de esperança sem rumo,
desenha-se o rascunho de um farol aceso numa ilha sem norte...

Não soprasses a tua presença na minha pele com teu simples existir.
Certamente, estaria a salvo e não saberia eu a cor da tua ausência....




TEU SORRISO...

Descubri aqui e agora,
teu sorriso é o local onde quero estar,
é aqui que a tua natureza me entranha na pele,
é onde os sentires me adoçam os segundos,
onde o tempo se torna etéreo,
vai acontecendo, não passa.

É aqui que preconizo parar o mundo,
nesse instante,
associado à intensidade desse olhar,
essa esperança,
este lugar, aqui e agora,
onde se liberta de mim este querer, e te toca,
te abraça...
te abraço...
HEARTBEATS

Inspirante,
incessantemente intenso.
Brutalmente verdadeiro..
pum pum, pumm pumm, pummm pummm...

sinto os ritmos dos teus sentires amigo,
está expresso no espaço que separa as palavras que escreves,
nesse silêncio que diz muito mais do que tu queres.
Agradeço o facto de o partilhares comigo.






terça-feira, março 18

ENSAIO ESTRANHO...

Estranhamente estranho me sinto hoje, como se eu fosse estranhamente estranho sempre, isto é, todos os dias. Não me sinto com estranhas intenções, o que é estranho por si só, isolado de tudo o que é resto. Se assim estou, estranhas seriam ou deveriam ser também as minhas intenções que, contudo, são nenhumas.

Explicar esta estranha sensação parte de mim e até mim chega, parece que estou fora do mundo, das pessoas e parece-me estranho que assim seja. É como se eu estivesse numa parte do mundo onde estranhamente as pessoas não me pertencessem ou então eu não as pertencesse porque me consideram estranho e tal facto também não é de estranhar porque assim estranhas também as considero.

Observo as pessoas a andar pela rua, algumas estranhamente arrastam-se, sem andar propriamente, outras apressam-se e também é como se não andassem e é estranho para mim que não dêem passos, que os saltem e não se apercebam.

É estranho também quando observo os seus olhares, onde não me incluo, e é estranho que não me observem ou que não me sinta observado já que eu não me canso de os observar, cansa-me sim a estranheza com que os observo porque não me sai dos olhos e por isso cega-me o pensamento.

Estranho pensamento sobre as pessoas, sobre mim que também sou pessoa, embora evite muitas vezes, e a estranheza que observo sem querer ser estranho...

segunda-feira, março 17

PASSA-ME O TEMPO PELO CORPO...

Passa-me o tempo pelo corpo, sempre pelo corpo, por ele tudo passa, muito permanece.Guardo nele (em mim) todos os abraços, os toques de suavidade que a vida me vai oferecendo, também as pancadas violentas, que a mesma vida me obrigou a receber. Tenho na pele, como se fossem memórias que me acompanham, as tatuagens em forma de beijos que me adoçaram os sentires e arrepia-me na pele também aquelas cicatrizes, que foram feridas, mas nem todas estão camufladas.
Passa-me o tempo pelo corpo, pesa-me enquanto passa...Tenho o corpo na dor, tenho a dor na lágrima e essa humidade que me desce pela face, liquidamente, arrefece-me todas as esperanças.Tenho a dor no corpo e ás vezes sinto que o corpo se ausenta e fica só a dor e escondo-a com a alma. Porque a alma é enorme e abarca todo o mundo e escurece toda a dor e anestesia todos os sentires...
Passa-me o tempo todo pelo corpo, sempre pelo corpo, e pesa-me enquanto passa, mas permanece... o corpo, grande e forte...

segunda-feira, janeiro 28

SORRISOS AOS PEDAÇOS

Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém
que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver?
Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar?
Quando alguém morre, quando alguém se separa -
como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?

As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. as pessoas têm de partir,
os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar.
Sim, mas como se faz? Como se esquece?

Devagar. É preciso esquecer devagar.
Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre.
Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração,
fazer os maiores escarcéus mas não se podem despejar de repente.
Elas não saem de lá. Estúpidas!"

in Último Volume, Miguel Esteves Cardoso

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Este excerto do livro de Miguel esteves Cardoso deixou também de estar abafado
pelo desconhecimento no blog diferente que já referi numa outra página em branco.
já o li tantas vezes sem me cansar mas há dias em que as rajadas com que ele me
ainge o pensamento são muito mais fortes.

Hoje enfrento-o com um olhar critico, leio-o com as lentes do cepticismo colocadas
e embora me continue a parecer bastante interessante e fazer emergir questões inomináveis,
essas mesmas questões já não me parecem as mais adequadas.

Esquecer alguém que se ama? colocaria a questão, como é que se esquece alguém que nos faz falta mas que é
mais dificil viver do que lembrar? se fosse mais fácil viver para que nos iríamos dar ao trabalho de nos obrigar
a lembrar?

De resto, a naturalidade que ele preconiza neste excerto quando se refere à forma como se deve encarar as mudanças,
separações, por vezes perdas, parece-me essencial para nos libertarmos do passado que persegue como sombra e que se revela dificil
de dar luz.

Deixar ir é mesmo a solução, não se consegue evitar que o sol se ponha mas pode-se aproveitar o calor que ele
fornece durante o dia e existem mesmo momentos únicos que nos ficam, que permanecem. Existe aquele nascer do sol único
e o por do sol memorável também, mas o ciclo chega ao fim para poder reniciar.. ficam os momentos, pedacinhos regularmente aquecidos pela memória e que se guarda num cantinho da alma.

Deixar ir é necessário mas não há que ter pressa. se quisermos matar a saudade com muita pressa, ela suicida-nos, é incontornável..

Os raios de sol que me aquecem hoje não são, julgo eu, os mesmos que me aqueceram ontem mas aceito-os
com a certeza de que os efeitos são os mesmos. existem caminhos diferentes, pessoas diferentes, lugares diferentes e efeitos semelhantes
.. o efeito final desejado são sorrisos acesos sempre... e a felicidade em pedaços..

Se fosse um bolo inteiro ia enjoar e provocar amargos de boca...

É sempre bom ir tendo sorrisos aos pedaços..

sábado, janeiro 26

NECESSIDADE

Sinto falta agora...


Imediatamente...

Em forma de abraço a desenrolar-me pelo corpo,
como sorriso aceso a escurecer-me as inquietações...
falta-me assim, quase sem me aperceber...

Falta-me o beijo que viola o verbo desejar,
mas que não é condenado porque humidifica a liberdade..

Apetece-me
o toque ingénuo revestido de suavidade
a deslizar pelas paredes da alma,
o olhar abandonado que calado me fala, que silenciado se revolta.

Quero imediatamente...
como se eu fosse juiz (mas não quero o respeito)

Quero como se fosse padre (que te ajoelhes)
para que te possa segredar o teu castigo...

Quero sempre...
quero...
sempre...

Intensidade...

Agora...

sexta-feira, janeiro 25

SOU ARREPIOS PELO CORPO TODO...
"DEDICAÇÃO À HONRA DE ESTAR VIVO"

Gosto de pessoas.

Afirmo com convicção este facto e essas pessoas que gosto sorriem, dizem que sou maluco e fazem-me cócegas com esse dizer e fazem-me soltar gargalhadas alucinadamente espontâneas.

Será assim tão descabido? Não me parece que o seja porque não encontro nada de tão fascinante como essa gente que me circunda sem querer e sem saber porquê. Gente que vem de parte incerta indo para lado nenhum e se vai perdendo no meio do nada que lhes persegue, como a mim.

Jorge de Sena diz que se trata da "dedicação à honra de estar vivo", diz que esse gostar traduz "o amor ao nosso semelhante, no que ele tem de único, de insólito, de livre e de diferente", eu, com as minhas limitações digo apenas que se trata de uma forma de curiosidade disfarçada de interesse que me leva a querer saber os porquês de cada ser e conhecer essa unicidade que lhes é característica.

Se "ser diferente depende sempre do ponto de onde cada um vê a realidade do outro" como diz uma grande amiga minha, penso que tenho muitas diferenças porque tenho muitos pontos de onde observar e de lá, do alto do meu mundo, a tentativa de descodificar sorrisos, abraços, palavras não ditas, silêncios gritantes em olhares despidos, nunca me parece suficiente mas não me canso nem desespero...

Aguardo apenas que a paciência me arrepie o corpo porque sei que é condição necessária para te poder perceber melhor a ti que és pessoa e a mim que vou tentando (me) ser...

Porque sim... porque sou arrogante e penso que as perspectivas que tenho são só minhas e só as partilho com quem eu quiser e achar que é pessoa...

És mesmo pessoa?

quinta-feira, janeiro 10

ACABEI-ME...
Porque sim, porque me falta, porque me falto, porque me ausento, porque me fujo, porque não me quero, porque não me apetece, porque não ou então porque sim... Interessa? Parece confuso? Claro que sim... É mesmo. Se não fosse, iria parecer sê-lo? Mas onde está a confusão? Na minha cabeça? Na tua? Interessa? Porquê tantas perguntas? Talvez porque não existam respostas, mas espera, agora não percebi, se não existem respostas para quê mais perguntas? Não seria melhor procurar logo as respostas? que confusão... voltemos ao príncipio. Onde começou? Na inexistência, na insuficência? sim, na falta, na ausência e nessas coisas todas que demonstram que há espaços em branco por preencher. Começa sempre na necessidade, se assim não fosse iria eu molestar este teclado com as minhas parvoíces e fazer emergir este descontrolo que me circula nas veias? Provavelmente não... digo eu, mas que sei eu? nada, esse é o meu consolo, ou não... se calhar é o meu desconsolo. Percebes?
Então explica-me por favor...
Esquece, já não quero saber, ou melhor, deixei de querer, vou deixar-me destas coisas...
É melhor para ti.
Acabei-me...

quarta-feira, janeiro 9

SOU TODO INSUFICIÊNCIAS...

terça-feira, junho 12

HINO AO ACONCHEGO

Metamorfose,
fim de processo iniciado no abraço,
passageiro entregue,
levado na boleia do beijo.

Discernimento,
a loucura disfarçada,
o raiar do silêncio, abafado,
gemido que grita no olhar.

Intensidade
pintada de branco,
na nudez de passividade que veste
o tempo.

Tatuagem,
embora líquida,
provoque no corpo o naufrágio
da necessidade de toque.

Abandonada seja a saudade

sexta-feira, junho 8

NAS COSTAS

sempre a preguiça... sempre a mesma cruz.. sempre o mesmo peso...

terça-feira, março 27

SENTIDO DESFIGURADO

Tenho em mim tantos pensamentos por libertar.

Tenho a liberdade acorrentada na garganta da alma sem a soltar, muda, coitada...

Tenho-a, e por essa razão, ela não passa disso mesmo, um pensamento. Talvez se a libertasse pudesse ser outra coisa diferente, com um nome diferente e talvez até transmitisse ideias diferentes e outras coisas igualmente diferentes também...

Sou por isso também devaneios em fuga, sou incoerencias (mais uma vez), estendidas ao sol, sou pedaços de insubmissão à procura do rumo e muitas vezes sou apenas...

Quisera ser mais do que liberdade presa em coisa alguma ou inexistência a vaguear em rasgos de imprecisão...

Quisera apenas que tivessem sentido as palavras que escrevo sem querer ou que sem sentido pelo menos algo dissessem...

Quisera ter a definição do que me falta e onde perdi (ME)...

quinta-feira, janeiro 25

ENSAIO INACABADO

Razões? Todas ou nenhumas. Certezas? As suficientes para serem inacreditáveis. Esperança? Com certeza, bastante, ou então não!... Talvez em quantidade o suficiente para suscitar as mesmas dúvidas de sempre... Confusão? Certamente que sim… também incoerência, indefinição e outros pedaços ainda não identificados…

Porque sinto uma espécie de cansaço anormal sobre o tema mais banal e ao mesmo tempo especial, complexo, controverso, extenuante, pintado de incertezas sobre telas de esperança que já existiu, o amor.

Percebe-se pelo parágrafo anterior que qualificar o amor é motivo suficiente para limitar a existência de neurónios, é provavelmente o sujeito que mais atributos pode ter associado e isso poderia ser razão suficiente para estar aqui a impor dinâmica a este conjunto de teclas. Contudo, a minha intenção não é adjectivar esse sujeito nem sequer tentar defini-lo ou dissertar sobre a indefinição que lhe é característica, a minha intenção é desmembrar-me deste cansaço que me arrasta, é emancipar-me desta insegurança aparentemente excessiva que me possui e libertar meu pensamento da inutilidade processual que lhe prende.

Não é usual os cansaços consumirem-me, sorrio perante a naturalidade da sua existência, contudo, encontro-me a pensar demasiado o amor, e é isso que me cansa brutalmente. Penso o amor com o ridículo que Álvaro de Campos lhe atribui, constato que todas as cartas de amor são mesmo ridículas e que ridículas são também todas as palavras esdrúxulas.

Penso o amor como um anestésico indispensável em intervenções cirúrgicas que pretendam atenuar a solidão, a inactividade emocional, a insensibilidade e o vazio sentimental ou então incrementar a velocidade da circulação sanguínea à boleia da intensidade...

Confesso-me cansado de pensar tanto o amor.. dou este ensaio por inacabado... pensa-o tu um bocadinho...


sexta-feira, janeiro 5

Sinto-me tanto mas não me apetece...

sexta-feira, dezembro 1

ALGURES no meio do mundo sobrevive;

Um pensamento encalhado no porto das memórias,
Uma onda que não chega a atingir a praia,
Um raio de sol que não aquece o chão,
O beijo que não humedece os lábios,
Um abraço que não toca a alma,
Um corpo que ama sem encaixar,
Um olhar que se perde sem ver

Subsiste;

A liberdade presa em coisa alguma,
Porque existem canetas que só escrevem
E melodias sem letras que lhe dêem voz...

Cresce;

O amanhã pendente,
O odor de saudade a libertar-se no presente.
O estar de mim ausente,
(Porque me tornei líquido
E me dei a beber a ti, loucura...)

Transformei-me num desejo mal calculado,
(Engarrafado) e agora vomitas-me em litros...

O resultado;

Andar sem chegar ou entao não querer chegar
(Para evitar ter andado)

Querer estar perdido ou então não se chegar a encontrar
(Para nunca se ter perdido)

Muita confusão na cabeça desta tinta que me sangra...

Existem segundos que nunca chegam a passar e é aí que quero ser...

INEXISTIR PELA MANHÃ

No caminho runo à aceitação da responsabilidade diária que me é destinada, à velocidade do comboio a passar pelas estações, apressadamente, passa também um pensamento que para mim tem tanto de original como de irrealizável e absurdo.

Hoje apetecia-me inexistir de manhã. Suspender a minha existência por um período de tempo calculado até que o sol deixasse de estar mal disposto e acordasse para a vida com a intensidade que lhe é característica. Aceitando o facto do seu aparecimento diário ser incontornável, tal como eu assumir aquelas responsabilidades que me obrigo a realizar para não vestir o fato do "parece mal", pelo menos que sorria de manhã e não acorde com os raios fora do céu.

Poderia aparecer na vida perto da hora de almoço, mesmo a tempo de aperitivo que lhe precede...

O REGRESSO do que nunca foi

Ansiosamente esperava pelo dia em que conseguisse libertar-me da preguiça onde estava enjaulado e pudesse voltar a preeencher folhas em branco.

Como sei que a ânsia, na maioria das vezes, é prejudicial, esperei que passasse. Hoje escrevo sem ânsia, sem desespero, sem qualquer tipo de motivação excedente e sem qualquer objectivo que possa me confidenciar.

Apeteceu-me e pronto. Sentei-me e escrevi. Aqui estou eu. Eu que me ature, vocês não são obrigados.

domingo, julho 23

TRANSPARENTE

Grito calado no silêncio,
entre o ruído ausente e a esperança da sua presença.

Abafar absurdo de uma vontade
presa na sombra de um pedido latente...

Palavras aniquiladas, sufocadas por cobardia,
escritas em olhares perdidos, cegos sem se importar...

Ensaio de loucura suspensa na mente, congelada,
espelha a anormalidade que, na realidade, tende para o banal.
________________

Falo da vida como se não a entendesse,
complexificando o evidentemente simples para dar corpo à dúvida.

Rejeito a transparência
YAWP

Ainda a madrugada espera o cântico sublime que acompanha o nascer do sol para ser embalado para o adormecer, já os meus pensamentos rotineiros sobre nada são invadidos por divagações mentais que me atrevo a obrigar permanecer.

Lembro-me de frases que tentam definir vida... A vida é um carrocel, só tens de te sentar e aproveitar a viagem, consciencializo as ascensões que nos colocam o céu nas mãos mas também as descidas vertiginosas que nos apresenatam o abismo, que não temos prazer nenhum em conhecer.

Lembro-me da frase de um amigo que afirma sempre, no meio de gargalhadas, que a vida são férias que a morte nos dá e então penso: porque razão as pessoas só têm férias durante um mês (o meu lado optimista) nos doze meses que constituem o ano sendo que tudo o resto é morte.. Se a nossa maior ambição é a vida, porque não temos férias onze meses por ano e então quando tivéssesmos cansados de tanta vida ficaríamos um mês a morrer na depressão abismal de cair nas rotinas que nos acorrentam a liberdade no "têm que ser é a vida"...

Contudo, e apesar disto, o que hoje mais me preenche os espaços no lugar onde surge o pensar é o debate sobre a nossa auto-suficiência para dominar/controlar a vida.
A vida é uma página em branco que só tu podes preencher, é um poema com forma mas sem conteúdo e tu és o responsável por escrever os versos pois é certo que ninguém o fará por ti. Esta ideia não é única, existem outras contrárias. Garcia Marquez começa um dos seus mais conhecidos poemas da seguinte forma; "se eu não fosse uma marionete de trapos...", em que o fatalismo do destino é um determinismo inultrapassável, o que nos iliba da responsabilidade de nos responsabilizarmo-nos e é um pouco diferente de decidir sobre a influência de determinismos light, quer sejam sociais, económicos, culturais, etc.

Recuso a ideia de ser um boneco manejado pelo inevitável. Aspiro ser comandante da vida, não um escravo, não pretendo ser tela onde se esboçam pedaços de vida, quero pintar o quadro completo de mim sobre o fundo que a minha imaginação me permitir desenhar.

Não é minha intenção responder aos desafios, a minha realização é criá-los, é jogar na antecipação, não me assenta bem o smoking da passividade. A minha esperança é despir-me desse contrangimento.

Vou gritar o meu bárbaro yawp nos ouvidos do mundo.

quarta-feira, julho 5

DENTRO DE UM CUBO DE GELO

Quando nasce numa mente um intenso desejo de mudança, a única solução é mesmo mudar, depois desse desejo passar por todas as fases que uma criança passa, depois do seu nascimento até se tornar adulta, o ser que o fez nascer não pode deixá-lo morrer como tudo o resto. A única solução é fazê-lo perpetuar-se dentro de um cubo de gelo, aí tudo será diferente, não existirá dor nem alegria, tristeza ou felicidade, será tudo tão normal como o cubo de gelo, não haverá intensidade porque nada será nem mais nem menos, simplesmente será. Um cubo de gelo evita a banalidade do dia a dia, evita os desgostos de amor, as ilusões dos sorrisos, afasta-nos de todas as mentiras que a verdade nos faz acreditar.
Olhamos sempre para a realidade com olhos de espanto como se nunca a tivéssemos vivido, mas dentro de um cubo de gelo a realidade não nos espanta, não nos altera, não porque estejamos indiferentes a ela, não porque sejamos insensíveis e frios mas só e apenas porque é real e não tem definição nem adjectivos que a qualifiquem.
Dentro de um cubo de gelo, a realidade é real, o sonho é o sonho, a felicidade é... Assim como a tristeza e a sua naturalidade, reina e sopra, flutua com o vento...

INSUFICIÊNCIAS...

Numa praia deserta,
numa casa abandonada,
num navio naufragado,
numa vela apagada,
jazem memórias de um sonho inacabado,
de uma metade vida por completar,
uma realidade por viver,
uma verdade por confirmar...

sexta-feira, junho 30

PESSOAS...


Não interessa estares longe ou perto, o que interessa é que existes para que eu possa sentir a tua falta. Não é que sejas diferente, é que não existe ninguém igual a ti...


A vida mede-se pela intensidade das coisas, não pelo tempo que duram. Só a intensidade com que as vivemos pode fazer com que sejam eternas, ainda que se desgastem no futuro ausente..

Obrigado por me teres dado pedaços de vida. Sei que agora me faltam menos para me ir completando na vida...


Independentemente do tempo que nos vivemos, serás sempre tatuagem, nunca cicatriz...


Tenho pedaços de mim só teus que ninguém mais vai ter...

_______________________


Alguém descobriu que todas as pessoas que entram na nossa vida não têm obrigatoriamente de permanecer. Muitas delas surgem com missões específicas, entram para nos ensinar algo ou para aprender e depois desvanecem-se no inexistir... Fica a sombra da saudade.

terça-feira, junho 6

"O que eu gostava era de poder falar na tua boca para que as tuas palavras fossem minhas e pudesse permanecer silencioso ao teu lado."

Pedro Paixão
MULHERES

Será que elas sabem o poder que exercem sobre os homens?

Não me refiro a elas famosas nem particularmente a elas que não o são... Apenas refiro-me a vocês, simplesmente mulheres, de olhar intenso, de face limpa, que transpiram sensualidade em cada passo que dão. Que fabricam olhares petrificados como o que vi há pouco e que hipnotizam sem querer.

Refiro-me àquele olhar meio oculto, meio enigmático que revelam. Refiro-me ao suave mas decidido movimento que nos leva os olhos.

Não me refiro ao sorriso enfeitiçador nem ao silêncio ensurdecedor que apenas dá eco à nossa imaginação.

Não me refiro sequer à vossa capacidade para nos manipular como marionetas quando há um objectivo a atingir.

Não me refiro também à arte de ser camaleão que vocês tão bem personificam...

Não me refiro a nada em particular mas à essência que é o vosso todo..

Sei lá, não é fácil ser escravo...

O pior é que por vezes é agradável...
EYES WIDE SHUT


Completamente às escuras, de olhos bem fechados...

O beijo. Esse que acorda a vida, que te dou. Lábios húmidos, molhados de desejo, sobre os teus, ansiosos.


Um choque frontal, puramente acidental, que vai deixar cicatrizes.

Minha língua entrelaçada na tua em forma de suave súbita violência.

Prendem-se nossas almas à medida que se nos aperta o abraço para não abandonarmos o arrepio que nos despe.

Não me refiro já a mim, nem a ti, somos nós a ensaiar a dança da intensidade para actuarmos quando abrirmos os olhos.

Sinto corpo meu mais quente, unido ao teu, inflamado de necessidade mais do que vontade e não me atrevo a libertar-te.

Amarro mais intensamente a minha língua na tua para que não te soltes e com os meus lábios selo o beijo que te condena a esta doce eternidade fechada em mim...

segunda-feira, junho 5

PERSONIFICAÇÃO DE SENTIRES

Há pedaços de vida que se soltam...
Há vida em pedaços a libertar-se...
Há realidade a desvanecer-se em coisa alguma.
Há pequenos nadas a chocar na realidade.
Existe abstracção a definir loucura,
existe na loucura uma certa indefinição.
Existem paradoxos presos no acaso.
existe o acaso vestido de antíteses,
existe uma necessidade de doer pendente.
Existe uma dor de sentir ausente.
Existe ausência no meio de tudo,
existe tudo, sem querer, no vazio...
Existe esta estupidez sem sentido,
assim como existe tentar configurar a estupidez.
Existe um sorriso livre por aí...
Existe um sonho preso numa vela que se apaga.
Existe a sombra de um desejo que se desfaz em abstracção...
Existe vida...
Existe...

quarta-feira, maio 31


Tenho em mim um abraço que se desprende mas que não tem corpo...

quinta-feira, maio 18

O QUE SE QUER

«Querer alguém, ou alguma coisa, é muito fácil. Mesmo assim, olhar e sentirmo-nos querer, sem pensar no que estamos a fazer, é uma coisa mais bonita do que se diz. Antes de vermos a pessoa, ou a coisa, não sabíamos que estávamos tão insatisfeitos. Porque não estávamos. Mas, de repente, vemo-la e assalta-nos a falta enorme que ela nos faz. Para não falar naquela que nos fez e para sempre há-de fazer. Como foi possível viver sem ela? Foi uma obscenidade. Querer é descobrir faltas secretas, ou inventá-las na magia do momento. Não há surpresa maior.O que é bonito no querer é sentirmo-nos subitamente incompletos sem a coisa que queremos. Quanto mais bela ela nos parece, mais feios nos sentimos. Parte da força da nossa vontade vem da força com que se sente que ela nunca poderia querer-nos como nós a queremos. Querer é sempre a humilhação sublime de quem quer. Por que razão não nos sentimos inteiros quando queremos? É porque a outra pessoa, sem querer, levou a parte melhor que havia em nós, aquela que nos faz mais falta. É a parte de nós que olha por nós e nos reconcilia connosco. Quanto mais queremos outra pessoa, menos nos queremos a nós...

(...) ter também não é tão bom como se diz. Ter alguém ocupa um espaço vital que às vezes é mais bonito deixar vazio. (...)Ter o que se quis não é tão bom como se diz, nem querer o que não se tem é assim tão mau. O segredo deve estar em conseguir continuar a querer, não deixando de ter. Ou, por outras palavras, o melhor é continuar a ser querido sem por isso deixar de ser tido. O que é que todos nós queremos, no fundo dos fundos? Queremos querer. Queremos ter. Queremos ser queridos. Queremos ser tidos. É o que nos vale: afinal queremos exactamente o que os outros querem. O problema é esse.»

Miguel Esteves Cardoso
PEDAÇO DE UMA CARTA

«Eu penso em ti, ainda mais do que te digo, e tu estás em tudo, mesmo quando não te penso, tu és a grande razão, o horizonte sem nome que constantemente se desenha na minha imaginação de mim.»

António Mega Ferreira
IMAGINE

Imagine there's no heaven
It's easy if you try
No hell below us
Above us only sky
Imagine all the people
Living for today...
Imagine there's no countries

It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life in peace...
You may say

I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope someday you'll join us
And the world will be as one
Imagine no possessions

I wonder if you can
No need for greed or hunger
A brotherhood of man
Imagine all the people
Sharing all the world...
You may say I'm a dreamer

But I'm not the only one
I hope someday you'll join us
And the world will live as one

(John Lennon)

segunda-feira, maio 15

VIOLAÇÃO!

Violentamente escrevo, sem rigor, sem precisão ou qualquer tipo de obrigação...
Rasgo o papel com a lâmina dessa tinta que abre feridas sem sangrar..
Um incontrolável movimento de letras que se formam sem permissão.. me entram agressivamente em forma de violação..
Grito desalmadamente pedindo a salvação do outro mundo mas nada.. nada acontece.
É impiedosa esta frieza que me corta, extenuante esta inutilidade que me possui...

Se humano sou, que humana seja minha carne, triturada a motor que nunca cessa seu fulgor..
Se humano sou, que esta fraqueza de me alimentar do adquirido seja pintada num quadro de sofrimento atribuído a Munch.
Se humano sou, que este abismo cuja profundidade seca as lágrimas que não derramo me afogue até que não aguente mais a morte deste pedaço de vida em forma de momento...
Sem disciplina, sigo os meus caminhos atrás de alguém que perdido está...

Que impotência se me atropela sem olhar para trás?
Que nudez se me revela neste temível céu de incoerência? Antes me despisse a parvoíce, já era um favor que te faziam... A ti que me aturas transportando naquela brisa matinal, cujo nascer do sol ilumina o fundo, a rotina de mais um dia definido por uma carícia de abstracção...

O horizonte já se pintou de negro com cores de aço de tal forma que minha alma tem o peso insustentável de uma vida... Vazia, que carrego sobre os ombros sem ser cruz...Sem ser (nada) sequer...
Criados estão os edifícios que chegam ao céu, escondem a verdade nas suas modernas fachadas construídas com material de mentira mas que se irão desmoronar quando eu abrir o chão que não piso com meu tremor de medo... O medo desta panóplia de emoções reconstruídas como um puzzle espelhadas neste violador em forma de caneta..

Esta violação de vida que não permito mas que me entra até ao fundo.. que me dói orgasmicamente e me rasga, me fere sem sangrar...
A alma..
ECO DE SILÊNCIO...


Silêncio ensurdecedor de pura calma,
Manifesto na nuvem que à volta do sol dança,
No vento soprando esvaziando a alma
Afastando para longe o eco da esperança

Imenso mar de inexistentes ondas
Que na areia traduz todos os seus medos.
Sonhos que se desvanecem contra as rochas
e se perdem revelando seus segredos

Aparente irreal sensação de liberdade
Que o vento estende na imensidão do mar
Enganando com verdadeira falsa verdade

Clara escuridão existente num olhar,
Sombra de alegria que deixou saudade.
Fim de um sonho que um dia se chegou a desejar.
SONO!

Sono que vens de mansinho,
entre cada pestanejar chegando,
as portas para a breve morte abrindo
e lentamente a vida matando.

Acordas para o mundo dos sonhos,
não visitado senão em tua companhia.
mostras futuros risonhos
que não mais eram que ideologia.

És protecção da humana gente,
quando fatigada está da banal vida,
mas não te invocando, surges simplesmente...

Como onda que é pela praia querida
mas não a invoca, espera ansiosamente.
Sono és da vida a nossa única saída!!...
UM FILME REAL

A ARTE DA GUERRA bem que podia ser abolida. Enquanto uns sofrem À ESPERA DE UM MILAGRE outros sofrem com o INFERNO VERMELHO. Desta vez A CIDADE DOS ANJOS não sofreu consequências mas tão brevemente não se poderá AMAR EM NOVA IORQUE, não enquanto os Estados Unidos da América parecer uma AMERICAN PIE, e esta não é A PRIMEIRA VEZ. As pessoas parece que querem transformar o mundo no PLANETA DOS MACACOS e os DIAS DO FIM parecem surgir em menos de 60 SEGUNDOS parecendo antecipar o ARMMAGGEDON. Se alguns acreditam que A VIDA É BELA, de certeza, agora, o seu SEXTO SENTIDO dir-lhes-á que poderá não continuar assim, mas, no entanto, RESISTIR-LHE É IMPOSSÍVEL e precisam-se SUBSTITUTOS porque HOMENS DE HONRA parecem já não existir, talvez se encontrem por detrás da NONA PORTA. Por isto ser tão difícil como descobrir O QUE AS MULHERES QUEREM então dançamos AO RITMO DO HIP-HOP para O ABISMO.
O SILÊNCIO DOS INOCENTES grita na alma da Humanidade e diz-se THE WORLD IS NOT ENOUGH para conseguir calá-lo. Outrora seria uma SEDUTORA TENTAÇÃO ou mesmo uma ATRACÇÃO FATAL viver a vida intensamente, cada momento como se fosse o último, mas hoje o homem é NÁUFRAGO numa viagem em que ele próprio provocou as tempestades.
Espera-se por um BRAVEHEART que consiga evitar a escrita de outra LISTA DE SHINDLER, seria preferível escrever LENDAS DE PAIXÃO e viver a vida como um COCKTAIL em qualquer COYOTE BAR
[1].


[1] Nota: Esta não é uma MISSÃO IMPOSSÍVEL

domingo, maio 14

LOVE HAPPENS

I'm thinking of u baby...
Being with u is like having the sun in my heart.
Because of u my soul smiles...
U r my angel from above and every day i feel
that heaven is in your arms and that my home is your body,
and u know what baby?!
There's no place like home...
Luv u my sweetie

I know u r a wonderfull person and I feel so lucky
4 having u...
I know u r not perfect baby, but I have perfect moments with u,
and, what I've seen and what I know is enough 2 say that
no one else comes close...
I hope I'll make u feel happy 4 having the gift of life and love...

take care my love...

quinta-feira, maio 11

APROVEITAR O MOMENTO

Aproveitar o momento nem sempre é fácil...

Sentado numa esplanada ao sol a desfrutar de um refrescante gelado com sabor a preguiça, que congela o cansaço e faz derreter na boca tranquilidade,é muito fácil esquecer que existem projectos em processo, outros por iniciar e ainda muitos por idealizar....

É fácil esquecer que existe à sombra uma vida pendente de ti e que não avança sem estares presente.

Penso nisto e tudo é conflito porque agora, neste preciso momento, nenhum outro é mais perfeito, nenhum outro é mais intenso e nenhum outro é tão meu.

Há momentos para ir à frente e outros para seguir atrás. Há momentos para acelerar e há outros para simplesmente fazer contenção (não recuar)

Por vezes é mesmo preciso parar (mantendo o olhar em frente) para depois avançar de forma mais decidida.

Que haja (sempre) discernimento para saber controlar a caixa de velocidades que nos move a vida....

Penso nisto e chego a uma conclusão!

Há sempre uma desculpa quando não se quer fazer nenhum...

LAGOS DE NADA

Não tenho escrito sobre vida, tenho estado ocupado a viver, para evitar que ela me consuma totalmente.De vez em quando faço um esforço mas só me saem pedaços de frases.Escorre-me das veias apenas pingos de letras que apenas formam lagos de nada.

Lembrei-me então que quando estamos felizes não conseguimos pensar a vida,não interessa nada, só a queremos... e senti-me aliviado.

Sorri então porque pensei que estava feliz... Quando se está assim (feliz), é-se egoísta, queremos guardar a felicidade só para nós ou no máximo dividi-la com outra pessoapara tentar fazê-la maior.

Quantas pessoas ligam a um amigo às tantas da manhã a dizer estou feliz?

segunda-feira, maio 8

DESPERDÍCIO

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-se do sofrimento, também perde a felicidade.

Mary Cholmondeley

EPITÁFIO DE AMIEL

«Bem dotado pela natureza, favorecido pelas circunstâncias, trabalhou toda a vida para se preparar para viver quando morreu: Aprendei dele, mortais, como é preciso fazer e fazei o que ele não fez: avançar e ousar:».
Carpe diem quam minimum credula postero... (Aproveita o momento, confia o mínimo no amanhã...)

sexta-feira, maio 5

PENSAR A MENTE DO MUNDO

Falar de sentir, da complexidade...
Da teria empírica inerente à complexidade.
Preencher a vida, dar forma ao abstracto, esquecer a poesia, viver um revivalismo no presente, dizer palavras sem sentido e não assumir a responsabilidade. Assumi-la mas não temer as consequências.
Acompanhar o movimento de um olhar sem mensagem mas conseguir ler o não dito...
Paralisar o banal, sem querer, de tão simplesmente inconsciente...
Dar passos sem destino, sem preocupação pela não chegada, sentir cada centímetro avançado e pensar cada metro recuado, olhar pelas janelas frias de conteúdo e ignorar o observável.
Usar a lupa mecanizada da mente para ampliar a imagem do infinito... Longe da vida que toca a normalidade mas tocá-la na sua intimidade. Possui-la na cama da intensidade e destapar da não vida o manto da passividade. Eternizar os segundos, transformados em acções, tatuá-los na memória a cada instante e fazer deles instrumentos para a construção da realidade dentro dos sonhos.
Não atemorizar as palavras mas deixá-las fluir.
Cair do céu, sem chegar ao chão. vaguear ao sabor do vento, acariciando rostos sem expressão, petrificados pela sombra da sua não vida que lhes persegue.
Alimentar de incoerência a ilusão, fazer-lhe crer na mentira que parece ser a verdade.
Encher de confusão a tua mente que me lê, sem poder virar a página e sentir-me orgulhoso disso.
Fazer pensar a mente do mundo...
Perceber o processo... Apelar à sua inexactidão e não apressar o seu fim...

quarta-feira, maio 3

SEIZE THE DAY
Vou viver, até quando eu não sei.
Que me importa o que serei, quero é viver. Amanhã, espero sempre um amanhã. E acredito que será mais um prazer. E a vida é sempre uma curiosidade, que me desperta com a idade - interessa-me o que está pra vir. E a vida em mim é sempre uma certeza, que nasce da minha riqueza, do meu prazer em descobrir, encontrar, renovar, vou fugir ao repetir
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António Variações
O AMOR É FODIDO*

Comecei a ler este livro várias vezes sem conseguir chegar a metade e não percebia porquê.. hoje sei que para se perceber que o amor é fodido temos de já ter fodido o amor ou então ter sido fodido por ele pelo menos uma vez...

Recentemente EU fui fodido pelo amor.

Doeu-me em todos os pedaços da alma mas não me fiquei. Vim-me para cima dele depois de lhe ter fodido por trás também com o mesmo desapego que ele me tinha libertado.

Quando fodes o amor libertas os restos de ingenuidade que teimam em residir em ti mas mesmo assim sei que me falta muito para atingir o completo abandono.

Nunca pensei que um amor fodido tivesse tanta intensidade.
*"O Amor é fodido" - Miguel Esteves Cardoso