quarta-feira, fevereiro 4

APROVEITA O DIA (Walt Whitman)

Aproveita o dia,
Não deixes que termine sem teres crescido um pouco.
Sem teres sido feliz, sem teres alimentado teus sonhos.
Não te deixes vencer pelo desalento.
Não permitas que alguém te negue o direito de expressar-te, que é quase um dever.
Não abandones tua ânsia de fazer de tua vida algo extraordinário.
Não deixes de crer que as palavras e as poesias sim podem mudar o mundo.
Porque passe o que passar, nossa essência continuará intacta.
Somos seres humanos cheios de paixão.
A vida é deserto e oásis.
Nos derruba, nos lastima, nos ensina, nos converte em protagonistas de nossa própria história.
Ainda que o vento sopre contra, a poderosa obra continua, tu podes trocar uma estrofe.
Não deixes nunca de sonhar, porque só nos sonhos pode ser livre o homem.
Não caias no pior dos erros: o silêncio.
A maioria vive num silêncio espantoso. Não te resignes, e nem fujas.
Valorize a beleza das coisas simples, se pode fazer poesia bela, sobre as pequenas coisas.
Não atraiçoes tuas crenças.
Todos necessitamos de aceitação, mas não podemos remar contra nós mesmos.
Isso transforma a vida em um inferno.
Desfruta o pânico que provoca ter a vida toda a diante.
Procures vivê-la intensamente sem mediocridades.
Pensa que em ti está o futuro, e encara a tarefa com orgulho e sem medo.
Aprendes com quem pode ensinar-te as experiências daqueles que nos precederam.
Não permitas que a vida se passe sem teres vivido...

sexta-feira, janeiro 23

PALAVRAS SIMPLES

Acredito que a vida tem os seus momentos únicos, inigualáveis.
Penso, contudo, que todos os momentos são importantes.
Acredito que os sentimentos nos chegam como as estações do ano, todos tem o seu tempo e diferentes intensidades.
Acredito que todos temos os nossos negros e os nossos frios e que nos são tão indispensáveis como o quente e o vermelho.
Acredito em pedaços de felicidade suspensos, pendentes de nós.
Acredito que viver é uma questão de atitude.
Acredito que o positivismo e o optimismo poderiam ser a principal oração de todas as religiões. O pessimismo e o negativismo não trazem vantagens nenhumas, dou primazia ao pragmatismo.
Acredito que perseverar na procura é já encontrar, entendo que o benefício está no processo, encontrar é a cereja no topo do bolo.
Acredito no uso do livre-arbítrio, no uso da liberdade e na sinceridade como exigência.
Acredito que errar é crescer forçadamente, isso já acontece com o corpo, é a forma da mente o acompanhar.
Venero quem se acompanha da sensibilidade quando vai para o meio do mundo, ir sozinho é um risco desnecessário.
Sou a favor da realidade mas não me inibo de sonhar, acordado, e gerir assim a caixa de velocidades que lhe confere dinamismo.
Gosto de ter sensações… Gosto de saber que existe vento porque o sinto, de dançar no meio da rua porque o meu corpo tem ritmo, de respirar o mar pelo nariz e inalar a sua imensidão porque sim…
Acredito que ser parvo é uma característica interessante, evita o afogamento no que a vida tem de sério.
Gosto de beijar para saborear o doce.
Gosto de abraçar porque o meu corpo tem necessidade do toque e porque tremer de intensidade não tem preço.
Tenho a cor do sol no peito e a lua presa nos olhos por isso não existem cantos escuros onde não me apeteça.
Sou grande e forte nas paredes da alma porque me alimento de tranquilidade.

Não posso ser definido.

terça-feira, janeiro 20


strong>VOU APAGAR A LUZ E FECHAR O MUNDO

Chega mais perto, aconchega-te no meu abraço.
Encaixa-te nos meus sentires, tu conheces o caminho.
Segue na extensão do teu corpo, estou à porta do desejo,
a olhar para ti...
Linda e resplandescente.
Fica perto, faz frio lá fora,
não me interessa o mundo inteiro, o calor da tua pele chega-me.

Olha-me nos olhos. Sentes?
É o efeito que produzes em mim.
Aqui é sempre quente, aqui tudo é claro.
Tás acesa em mim, escureces o resto.
Fora de ti só há mesmo o resto, e é escuro, e tem sombras.

Eu quero-te.

Sorri para mim, despe-me.
Não tenho inquietações, já derretemos todo o gelo.
Anseio pelo teu beijo. Como caracterizá-lo?
É doce. É suave. É tranquilo e inspira-me.
É o silêncio assumindo o êxtase da sua metamorfose.
Cala-me nos teus lábios, as palavras estão em excesso.
Vou apagar a luz e fechar o mundo.
AMOR

Onde te escondes em mim?
Em que centímetro de pele?
Em que pedaço de sonho?
Em que rasgo de tempo?

Sinto-te agora, presente nos traços que me desenham o corpo.
Tenho a alma resignada à condição de tela,
escrava do teu interesse...
Sou dependência em forma de arte nas tuas mãos....

Amor,
faz-te carne e alimenta-me.
Torna-te líquida nas minhas veias,
realiza-te rimo no meu respirar,
existe na intensidade do meu olhar,
substitui o desejo na minha voz...

Toca-me...

segunda-feira, janeiro 19


TEMPO LÍQUIDO


A espera continua enquanto o tempo desliza pela realidade abaixo, líquido como sempre, difícil de petrificar, revestido de frieza insustentável...

O CANSAÇO DE TODAS AS HIPÓTESES

Gostaria de poder escrever mais frequentemente, expelir palavras pelos poros sem cessar, não por ser uma questão de necessidade, suporto tranquilamente a ausência de sol porque a noite não me inquieta, acontece que me bate no peito o "cansaço de todas as hipóteses" e por isso amordaço as opções para não ter de agir. Sim porque há um segundo em que a vida me cansa de a ter agredido. Então paro...

sábado, janeiro 17

CONFISSÃO

Quero que fiques.Melhor, não queria que fosses.
Será correcto dizer,não queria que tivesses ido?
Essa não é a questão essencial,
aliás, se "o essencial é invisível aos olhos", o essencial és tu.
Fazes parte do ter ido dos olhos e ter ficado no pensamento ,
por isso doem-me os olhos,
dessa cegueira da tua ausência.

Chegas-me incontornavelmente, diariamente,
vestida de noite,de escuro, de breu,
acendes-me na memória como estrela brilhante, a polar,
no alto desse abismo que sou por não estar em ti.
Na realidade se pensas estar longe enganas-te.
Tenho-te presa numa tatuagem debaixo da pele,
aqui ninguém te vê mas dóis-me e sangras-me na consciência
com uma lucidez feroz que me contorna a alma inteira.

Apetece-me sempre violar a tua existência,
contudo tenho tendência a relativizá-la,
é o melhor para ti,
coloco-a por detrás das costas e torno-a enigma
protegida pelos ombros largos.
Deixaste rasto nos beijos suspensos,
nos puzzles que toques faltam para completar.
No fazer amor que ficou incompleto porque teu corpo falta-me,
parece que me vesti de inverno mas tu é que és o frio.

Sei onde estás mas é injusto já pensar-te,
seria monstruoso alcançar-te...subir aí em cima,
no cume da loucura, seria excesso de egoísmo
por dar corpo a uma queda já iminente.
Estou a despir-me à tua frente
para me baptizar de crença,de joelhos no chão,
fere-me a sinceridade, a confissão é acto imperativo.. eu confesso...
Se estas palavras tivessem rumo,
se pudessem perder-se no norte da saudade,
onde a ilha se esconde, iluminada pelo farol, que sei ser sempre constante,
esse optimismo
que não se apaga,eu não ambicionaria mais nada,
apenas a realidade, tranquilidade apenas...

Nada de sonhos em noites de lua cheia,
nada de ilusões líquidas em veias danificadas de vício...
Nada de loucura a afogar-se em intensidade,

A falta congela-se...É triste...
Estas palavras não são minhas,
eu é que as pertenço,
eu sou as palavras e
quando te ausentas s
ou ainda menos que isso..
mas quando vens deixo de ser...
és tu por mim.

Queria que fosse fácil,
aliás tudo é fácil,
eu é que sou díficil...
RASGOS DE ESPONTANEIDADE

Adapto-me bem às palavras,
é um mundo que me tem à parte,
onde as perspectivas dependem do ângulo da imaginação.
Num rasgo de espontaneidade,
abraço o sol inteiro sem ter de dividir-lhe os raios,
caminho sobre os 7 mares sem ter de anestesiar
ondas revoltadas.
Observo o outro lado do kilimanjaro
sem abrir túneis pra escurecer a cegueira.
Agarro nas mãos o tempo,
configuro-lhe da infinitude que achar conveniente.
Faço-me kilómetro que veste o vento,
absorvo o espaço na minha pele.
Espontaneidade,
vontade imediata de dar ritmo ao inexistente...
Eu, quase frustrado,
numa tentativa desesperada de acorrentar em mim inspiração.
Eu, disfarçado de Carnaval,
mascarado de revolta espontânea,
de impotência insana,
de incoerência escrita...
ARREPIOS DE SENSIBILIDADE


Hoje é dia interior de sentir,é dia de beber de penalty emoções recalcadas,é dia de embriagar o coração com sentimentos líquidos. É tempo de soltar lágrimas pelos olhos da alma, de ter segundos para lamentar o passado ausente. Hoje a liberdade é respirar lembranças compulsivamente, é derreter a frieza no olhar quente do revivalismo. Abraçar o momento em que tudo parecia ser possível e desprender nele o presente activo. Hoje a voz grita sonhos adormecidos e a pele despe as feridas semi-abertas, meio cicatrizadas. Hoje sou todo arrepios de sensibilidade..
Porque me apetece...
COM O ESCURO PRESO NA VOZ

Estendo a minha alma pelo chão,
faço do corpo inteiro pensamento.
Visto frio e disfarço-me de inverno
num carnaval fora de época.
Petrifico o movimento,
faço da inércia liquidez a enfervescer e, do tempo,
roubo a infinitude.
Escrevo palavras claramente estúpidas,
estupidamente armadas de incoerencia.
Garanto que não as percebam.
Faço a noite circular-me no sangue,
o escuro a sair-me pela voz,
grito intensidade pelos poros,
depois... espero...

O TEU CORPO NUM SONHO


É agora, neste segundo a passar...
Violo de luz o negro a que chamas adormecer.
Sou o sonho que a tua ilusão inconsciente quis acender.
Abraço o nú do teu corpo desprotegido,
desenho nele pedaços de perfeição,
concretizo a irrealidade dela existir.
Desfaço o desejo em beijos na curva dos teus seios,
lábios a deslizar em modo automático a ignorar
as regras do pudor.



É agora, segundo efémero que perdura,
o tempo tem a velocidade que lhe atribuir.
Tenho a ponta dos dedos a ordenar um tremor de prazer
na tua pele,
podia também ser explosão
se fizesse da palma da mão rastilho e do meu olhar,
fósforo de intensidade.


É agora, um segundo paralisado na minha vontade,
é transparente a cor da ânsia.
Emana da tua pele magnetismo húmido e pinga em mim
em forma de transpiração...
Teu sexo é oceano de loucura, e eu,sou louco,
a querer suicidar-me por afogamento...
Estou adormecido no tempo que se apagou,
o sonho és tu.


Quero-te realidade...

quarta-feira, junho 11

ABRAÇA-ME BEM...

Rendo-me...

Acendo a escuridão no mundo por o teu olhar se acender em mim..

Visto-me rasto de uma estrela cadente,

sombra dessa madrugada que te envolve...

Sou pedaço de sonho,
pedaço que teu abraço pode colar através desses gritos sufocados, amordaçados pela minha verde esperança....

Terei voz na intensidade desse teu olhar penetrante, que me rasga a alma para poderes entrar...

Abres em mim a janela de um céu optimista onde nossas almas se enroscam como quente e fogo, céu e luar, cor e arco-íris...

Abraça-me bem...

Toco-te com o olhar intenso para gelar a acção despida de um abraço a fugir de mim..


Silencio o beijo pendente de ti amordaçando os lábios com a manutenção da distância...

Quero-te para aclarar a noite mas ofusco das estrelas o brilho..

Estou aqui e carrego o meu corpo..prendo-o no petrificar do movimento mas não me iludo..


O meu querer-te é apenas mudo... mas pode ser lido, está escrito..

Abraça-me bem...

quarta-feira, junho 4

SUAVE DESFALECER...

Estendo os meus braços no chão em forma de abraço,
sei que a tua alma me vai pisar por me colocar a jeito....
Queria proteger os meus sonhos,pintados de luz,
sinto que os queres emoldurar com as cores das sombras,
Queria munir-lhes de segurança,
do escudo que impede que lhes atinjam as balas de uma realidade perdida...

Contudo,

Desvanecem-me os sentidos na acção de tentar,
caem por terra os pilares que sustentam a lógica de resistir na ausência da crença,
a vida persiste no acontecer, o vento renasce das cinzas e sopra a arder na pele a realidade.

Fogem-me os vestígios de ideias apenas por fraqueza,

Rendo-me...

Entrelaço a minha alma na tua, no azul que lhe pinta a imensidão,
acaricio o horizonte do optimismo incessante que emana da tua pele,
beijo a húmida tranquilidade que ondula na suavidade dos teus lábios...

Ajoelho-me perante o mundo a olhar,

Solta-se de mim um pedaço de esperança sem rumo,
desenha-se o rascunho de um farol aceso numa ilha sem norte...

Não soprasses a tua presença na minha pele com teu simples existir.
Certamente, estaria a salvo e não saberia eu a cor da tua ausência....




TEU SORRISO...

Descubri aqui e agora,
teu sorriso é o local onde quero estar,
é aqui que a tua natureza me entranha na pele,
é onde os sentires me adoçam os segundos,
onde o tempo se torna etéreo,
vai acontecendo, não passa.

É aqui que preconizo parar o mundo,
nesse instante,
associado à intensidade desse olhar,
essa esperança,
este lugar, aqui e agora,
onde se liberta de mim este querer, e te toca,
te abraça...
te abraço...
HEARTBEATS

Inspirante,
incessantemente intenso.
Brutalmente verdadeiro..
pum pum, pumm pumm, pummm pummm...

sinto os ritmos dos teus sentires amigo,
está expresso no espaço que separa as palavras que escreves,
nesse silêncio que diz muito mais do que tu queres.
Agradeço o facto de o partilhares comigo.






terça-feira, março 18

ENSAIO ESTRANHO...

Estranhamente estranho me sinto hoje, como se eu fosse estranhamente estranho sempre, isto é, todos os dias. Não me sinto com estranhas intenções, o que é estranho por si só, isolado de tudo o que é resto. Se assim estou, estranhas seriam ou deveriam ser também as minhas intenções que, contudo, são nenhumas.

Explicar esta estranha sensação parte de mim e até mim chega, parece que estou fora do mundo, das pessoas e parece-me estranho que assim seja. É como se eu estivesse numa parte do mundo onde estranhamente as pessoas não me pertencessem ou então eu não as pertencesse porque me consideram estranho e tal facto também não é de estranhar porque assim estranhas também as considero.

Observo as pessoas a andar pela rua, algumas estranhamente arrastam-se, sem andar propriamente, outras apressam-se e também é como se não andassem e é estranho para mim que não dêem passos, que os saltem e não se apercebam.

É estranho também quando observo os seus olhares, onde não me incluo, e é estranho que não me observem ou que não me sinta observado já que eu não me canso de os observar, cansa-me sim a estranheza com que os observo porque não me sai dos olhos e por isso cega-me o pensamento.

Estranho pensamento sobre as pessoas, sobre mim que também sou pessoa, embora evite muitas vezes, e a estranheza que observo sem querer ser estranho...

segunda-feira, março 17

PASSA-ME O TEMPO PELO CORPO...

Passa-me o tempo pelo corpo, sempre pelo corpo, por ele tudo passa, muito permanece.Guardo nele (em mim) todos os abraços, os toques de suavidade que a vida me vai oferecendo, também as pancadas violentas, que a mesma vida me obrigou a receber. Tenho na pele, como se fossem memórias que me acompanham, as tatuagens em forma de beijos que me adoçaram os sentires e arrepia-me na pele também aquelas cicatrizes, que foram feridas, mas nem todas estão camufladas.
Passa-me o tempo pelo corpo, pesa-me enquanto passa...Tenho o corpo na dor, tenho a dor na lágrima e essa humidade que me desce pela face, liquidamente, arrefece-me todas as esperanças.Tenho a dor no corpo e ás vezes sinto que o corpo se ausenta e fica só a dor e escondo-a com a alma. Porque a alma é enorme e abarca todo o mundo e escurece toda a dor e anestesia todos os sentires...
Passa-me o tempo todo pelo corpo, sempre pelo corpo, e pesa-me enquanto passa, mas permanece... o corpo, grande e forte...

segunda-feira, janeiro 28

SORRISOS AOS PEDAÇOS

Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém
que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver?
Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar?
Quando alguém morre, quando alguém se separa -
como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?

As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. as pessoas têm de partir,
os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar.
Sim, mas como se faz? Como se esquece?

Devagar. É preciso esquecer devagar.
Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre.
Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração,
fazer os maiores escarcéus mas não se podem despejar de repente.
Elas não saem de lá. Estúpidas!"

in Último Volume, Miguel Esteves Cardoso

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Este excerto do livro de Miguel esteves Cardoso deixou também de estar abafado
pelo desconhecimento no blog diferente que já referi numa outra página em branco.
já o li tantas vezes sem me cansar mas há dias em que as rajadas com que ele me
ainge o pensamento são muito mais fortes.

Hoje enfrento-o com um olhar critico, leio-o com as lentes do cepticismo colocadas
e embora me continue a parecer bastante interessante e fazer emergir questões inomináveis,
essas mesmas questões já não me parecem as mais adequadas.

Esquecer alguém que se ama? colocaria a questão, como é que se esquece alguém que nos faz falta mas que é
mais dificil viver do que lembrar? se fosse mais fácil viver para que nos iríamos dar ao trabalho de nos obrigar
a lembrar?

De resto, a naturalidade que ele preconiza neste excerto quando se refere à forma como se deve encarar as mudanças,
separações, por vezes perdas, parece-me essencial para nos libertarmos do passado que persegue como sombra e que se revela dificil
de dar luz.

Deixar ir é mesmo a solução, não se consegue evitar que o sol se ponha mas pode-se aproveitar o calor que ele
fornece durante o dia e existem mesmo momentos únicos que nos ficam, que permanecem. Existe aquele nascer do sol único
e o por do sol memorável também, mas o ciclo chega ao fim para poder reniciar.. ficam os momentos, pedacinhos regularmente aquecidos pela memória e que se guarda num cantinho da alma.

Deixar ir é necessário mas não há que ter pressa. se quisermos matar a saudade com muita pressa, ela suicida-nos, é incontornável..

Os raios de sol que me aquecem hoje não são, julgo eu, os mesmos que me aqueceram ontem mas aceito-os
com a certeza de que os efeitos são os mesmos. existem caminhos diferentes, pessoas diferentes, lugares diferentes e efeitos semelhantes
.. o efeito final desejado são sorrisos acesos sempre... e a felicidade em pedaços..

Se fosse um bolo inteiro ia enjoar e provocar amargos de boca...

É sempre bom ir tendo sorrisos aos pedaços..

sábado, janeiro 26

NECESSIDADE

Sinto falta agora...


Imediatamente...

Em forma de abraço a desenrolar-me pelo corpo,
como sorriso aceso a escurecer-me as inquietações...
falta-me assim, quase sem me aperceber...

Falta-me o beijo que viola o verbo desejar,
mas que não é condenado porque humidifica a liberdade..

Apetece-me
o toque ingénuo revestido de suavidade
a deslizar pelas paredes da alma,
o olhar abandonado que calado me fala, que silenciado se revolta.

Quero imediatamente...
como se eu fosse juiz (mas não quero o respeito)

Quero como se fosse padre (que te ajoelhes)
para que te possa segredar o teu castigo...

Quero sempre...
quero...
sempre...

Intensidade...

Agora...

sexta-feira, janeiro 25

SOU ARREPIOS PELO CORPO TODO...