TEMPO
Quero um corpo para o tempo.
um rosto que lhe faça sentir VERGONHA,
braços que conheçam a AUSÊNCIA de um abraço,
olhos que CHOREM de saudade,
pernas para querer chegar e NÃO PODER....
Quero que o tempo tenha alma,
QUE SINTA PENA,
que sangre de REMORSOS.
que lhe DOA a existência toda,
que GRITE de SOLIDÃO...
Quero o tempo em CORPO e ALMA,
para o JULGAR, QUESTIONAR E CONDENAR.
para o APRISIONAR,
Quero ESTAR LIVRE do tempo...
"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas que já têm a forma do nosso corpo e esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares... é o tempo da travessia, e se não ousarmos fazê-la teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos". (Fernando Pessoa)
terça-feira, maio 5
quarta-feira, abril 29
NOVO BLOG
SAIR da PRATELEIRA
http://www.sairdaprateleira.blogspot.com/
Apeteceu-me...
Porque tenho uma vida banal de sol a sol, entre o escuro e a lua...
Eu bem disse que não era todo poesia... Não posso ser só poema...
Não é que seja mau mas é só uma coisa... posso ser mais?
Quero esvair-me em pensamento pelo mundo...
Desculpem se incomodo...
Acompanhem-me.
SAIR da PRATELEIRA
http://www.sairdaprateleira.blogspot.com/
Apeteceu-me...
Porque tenho uma vida banal de sol a sol, entre o escuro e a lua...
Eu bem disse que não era todo poesia... Não posso ser só poema...
Não é que seja mau mas é só uma coisa... posso ser mais?
Quero esvair-me em pensamento pelo mundo...
Desculpem se incomodo...
Acompanhem-me.
domingo, abril 26
FAZER-TE O AMORQuero fazer-te o amor enquanto dormes. Agora.
Neste instante de tempo, este presente, este existires,
neste minuto que passou, neste viver-te que sinto.
Tenho o olhar em ti e é o momento certo.
Afasta esse lençol quente de tua presença,
a minha pele é a seguir.
Melhor, deixa que eu afasto, continua adormecida em sonho,
permanece assim, quieta, eu farei tudo.
Serei eu a despir-te essa roupa interior minúscula,
a do corpo porque a da alma despe-te o sono.
Quero humedecer-te os centímetros do corpo com desejo,
soprar-te com a boca ansiosa a loucura adiada,
abraçar-te como se não houvessem mais segundos,
como se em nós tudo fosse primeiros.
O primeiro beijo, o primeiro toque, o primeiro sentir,
a primeira vez...
Lembras-te?
Quero fazer-te o amor enquanto dormes porque é sonho.
Quero fazer do meu corpo boleia para as tuas nuvens e que não pares.
Quero dar-te o céu embrulhado na horizontal, ou na vertical ou tanto faz...
tens preferência pela posição ou forma da intensidade?
Eu só quero respirá-la... Quero-te a toda a intensidade.
Quero fazer-te o amor enquanto dormes e deixar descansar a realidade...
Sejamos noite, que sejas o escuro e eu a tua sombra...
ELOGIO AO AMOR PURO
"Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas. Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição.. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É anossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."
Miguel Esteves Cardoso
"Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas. Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição.. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É anossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."
Miguel Esteves Cardoso
segunda-feira, março 23
ODE À ILHA
Tenho uma ilha,
o meu lar,
um lugar onde não cabe o mundo inteiro,
onde encaixo-me eu e todos os meus pedaços,
onde respiro paz ,
onde o sol não se esgota,
onde a chuva cai em ritmo de optimismo.
Baptizei-a de Marlene Fernandes,
nome que lhe sorri perfeitamente.:-)
Tem um abraço que me arrepia a alma inteira,
que conforta, protege e inebria.
É uma ilha em forma de mulher,
é quente e brilha nas suas formas sexy inconfundíveis.
Tem um olhar que me despe sem tocar,
veste alegria que contagia a sombra do próprio negro
e faz cócegas ao mais taciturno ser.
Na ilha o vento tem sopros de tranquilidade,
tem rasgos de imaginação ferozes,
tem beijos melosos que contornam o tempo.
A minha ilha é o mais próximo que estarei do céu,
tem faróis de positivismo que não se apagam,
onde tempestades temem escurecer.
A minha ilha é paraíso onde a ilusão de perfeição impera,
um local onde tudo tem cores de intensidade.
Amo a minha ilha, e, frequentemente,
distraído, volto a apaixonar-me,
e todas essas viagens têm sabor de primeira vez,
sabem a inocência de criança feliz por descobrir,
sem receios, sem pontos de interrogação, só reticências...
Essa certeza de que é só começo, que há muito mais, que és muito mais,
e que posso ser muito mais... contigo...
Permitam que me perca na minha ilha... Estarei feliz...
terça-feira, março 10

NEGAÇÃO
Não sou todo poema.
O meu corpo não é só feito de rimas
nem de palavras cúmplices unidas em abraço.
Não saio à rua vestido de metáforas todos os dias.
Não estou sempre calçado de utopias.
Os meus olhos não são versos abertos como se não houvesse noite.
Não sou espelho de inocência pura.
Não sou ingenuidade a movimentar-se em transparência.
Não sou muito mais que isto... Estas reticências...
que se vão repetindo...
terça-feira, fevereiro 24
AMOR À FRENTE DOS OLHOS
Vejo o amor à minha frente,
perdido na rua vazia,
vai meio despido ou talvez meio vestido,
está descalço, isso é certo.
Anda confuso, ziguezagueando entre a gente,
diria que ninguém o vê, ou talvez finja não ver.
pensam poder ignorá-lo.. faz-me rir às gargalhadas...
Vejo só amor à minha frente,
parece não ter rumo, é de quem o pegar,
pegas tu? despacha-te.
vais dizer-me que não o queres?
Tens algum receio?
Dizem que não é para todos,
deixo-o para ti.
Agarra-o. Não te acanhes...
Ninguém está a ver...
Solta-te em vida, não direi a ninguém.
Fica segredo nosso.
Vejo o amor à minha frente,
perdido na rua vazia,
vai meio despido ou talvez meio vestido,
está descalço, isso é certo.
Anda confuso, ziguezagueando entre a gente,
diria que ninguém o vê, ou talvez finja não ver.
pensam poder ignorá-lo.. faz-me rir às gargalhadas...
Vejo só amor à minha frente,
parece não ter rumo, é de quem o pegar,
pegas tu? despacha-te.
vais dizer-me que não o queres?
Tens algum receio?
Dizem que não é para todos,
deixo-o para ti.
Agarra-o. Não te acanhes...
Ninguém está a ver...
Solta-te em vida, não direi a ninguém.
Fica segredo nosso.
sexta-feira, fevereiro 20
SEM TÍTULO
Hoje morro aos pedaços...
Estou triste.
Hoje não há eufemismos para o sofrimento,
não há ilusões, nem magia com as palavras,
hoje as palavras são cruas, vestem vermelho de sangue.
Hoje não me disfarço de poeta que finge a dor de Pessoa,
hoje sou mesmo ninguém e choro.
Choro de impotência.
Choro de fraqueza,
de sensibilidade, porque queria poder ser frio.
Hoje despi o optimismo e fiz-me humano.
Hoje feriram-me a vida,
arrancaram-me um pedaço do peito e ofereci a alma inteira.
Hoje grito luto em processo,
parece que não termina, ecoa no meu respirar.
Sou EU, falo de mim, DÓI-ME....
Não finjo, não escrevo por escrever,
dor rima com sofrimento tal como descrito,
não sou ficção, sou realidade a desvanecer...
Não quero dizer mais...
Hoje morro aos pedaços...
Estou triste.
Hoje não há eufemismos para o sofrimento,
não há ilusões, nem magia com as palavras,
hoje as palavras são cruas, vestem vermelho de sangue.
Hoje não me disfarço de poeta que finge a dor de Pessoa,
hoje sou mesmo ninguém e choro.
Choro de impotência.
Choro de fraqueza,
de sensibilidade, porque queria poder ser frio.
Hoje despi o optimismo e fiz-me humano.
Hoje feriram-me a vida,
arrancaram-me um pedaço do peito e ofereci a alma inteira.
Hoje grito luto em processo,
parece que não termina, ecoa no meu respirar.
Sou EU, falo de mim, DÓI-ME....
Não finjo, não escrevo por escrever,
dor rima com sofrimento tal como descrito,
não sou ficção, sou realidade a desvanecer...
Não quero dizer mais...
quinta-feira, fevereiro 19
RASCUNHO
Sei onde encontrar-te.
Ficaste na regularidade do tempo,
vi-te ontem na elasticidade da mente,
tinhas o passado em frente dos passos.
Sei como ter-te,
transformo-te em presente.
Tenho o dom da manipulação,
não resistas.
Ignora o mundo inteiro e a dor nos olhos,
faz-te existência no meu corpo,
abraça-me em inconsciência.
Desfaz-te dessas defesas inúteis,
oferece à ânsia toda a tua vontade.
Faz-me tremer no peito o rascunho de um poema,
o teu toque.
Não me importo que termines os versos mais tarde.
Apenas avisa-me com antecedência...
Sei onde encontrar-te.
Ficaste na regularidade do tempo,
vi-te ontem na elasticidade da mente,
tinhas o passado em frente dos passos.
Sei como ter-te,
transformo-te em presente.
Tenho o dom da manipulação,
não resistas.
Ignora o mundo inteiro e a dor nos olhos,
faz-te existência no meu corpo,
abraça-me em inconsciência.
Desfaz-te dessas defesas inúteis,
oferece à ânsia toda a tua vontade.
Faz-me tremer no peito o rascunho de um poema,
o teu toque.
Não me importo que termines os versos mais tarde.
Apenas avisa-me com antecedência...
INCOERÊNCIA COM SENTIDO
Estas palavras que digo, que escrevo,
palavras que solto, que desprendo, que condeno,
palavras que sonho, que vivo, que ignoro,
estas palavras, só palavras sem característica, que vivem e são independentes,
estas palavras que são pedaços,
pedaços de tudo e ás vezes também de nada,
palavras que me preenchem ou são só metade de mim,
quando não quero que sejam eu inteiro e as castigo,
EU sou elas despido, e elas eu ao mesmo tempo,
juntos somos nus de alma, nus de forma, aldrabados de conteúdo.
Por vezes sou sem nexo se não sou sempre,
mas quando sou sempre foi porque o nexo ganhou vida e fugiu,
eu não vou atrás, quero lá saber dele que se foi porque quis.
Quando tenho que procurar sei que está escondido em mim,
se quiser vir palavras que se transforme e eu não terei acção.
Ficarei anónimo que também é bom,
desconhecido, poderia ser sinónimo de livre se bem entendo
ou então de confuso que diz que é interessante do mesmo modo.
Até gosto quando me visto assim de palavras,
importante claro é despir-me de sentido, ou então dos sentidos todos.
Palavras de ilusão, inverdade em forma de palavras,
seria mais fácil dizer mentira mas não apeteceu,
agora não apetece simplicidade porque traz tédio, talvez mais logo,
no segundo antes do sol se ir (seria correcto dizer se por?)
ou então a lua se vir, que parece mal, não?
palavras dependem da mente.. que decidiste?
Se me adulteras palavras deixo de ser, achas que passo a ser tu?
ou passo a inexistir e a ser ninguém?
Palavras avariadas estas, tenho esperança que sim,
caso contrário irei denominá-las palavras desperdiçadas,
ou maltratadas, unidas pelo acaso rumo a devaneio qualquer, anunciado...
Deviam prender-me sem palavras, sou culpado, não tenho dúvidas…
Estas palavras que digo, que escrevo,
palavras que solto, que desprendo, que condeno,
palavras que sonho, que vivo, que ignoro,
estas palavras, só palavras sem característica, que vivem e são independentes,
estas palavras que são pedaços,
pedaços de tudo e ás vezes também de nada,
palavras que me preenchem ou são só metade de mim,
quando não quero que sejam eu inteiro e as castigo,
EU sou elas despido, e elas eu ao mesmo tempo,
juntos somos nus de alma, nus de forma, aldrabados de conteúdo.
Por vezes sou sem nexo se não sou sempre,
mas quando sou sempre foi porque o nexo ganhou vida e fugiu,
eu não vou atrás, quero lá saber dele que se foi porque quis.
Quando tenho que procurar sei que está escondido em mim,
se quiser vir palavras que se transforme e eu não terei acção.
Ficarei anónimo que também é bom,
desconhecido, poderia ser sinónimo de livre se bem entendo
ou então de confuso que diz que é interessante do mesmo modo.
Até gosto quando me visto assim de palavras,
importante claro é despir-me de sentido, ou então dos sentidos todos.
Palavras de ilusão, inverdade em forma de palavras,
seria mais fácil dizer mentira mas não apeteceu,
agora não apetece simplicidade porque traz tédio, talvez mais logo,
no segundo antes do sol se ir (seria correcto dizer se por?)
ou então a lua se vir, que parece mal, não?
palavras dependem da mente.. que decidiste?
Se me adulteras palavras deixo de ser, achas que passo a ser tu?
ou passo a inexistir e a ser ninguém?
Palavras avariadas estas, tenho esperança que sim,
caso contrário irei denominá-las palavras desperdiçadas,
ou maltratadas, unidas pelo acaso rumo a devaneio qualquer, anunciado...
Deviam prender-me sem palavras, sou culpado, não tenho dúvidas…
quarta-feira, fevereiro 4
APROVEITA O DIA (Walt Whitman)
Aproveita o dia,
Não deixes que termine sem teres crescido um pouco.
Sem teres sido feliz, sem teres alimentado teus sonhos.
Não te deixes vencer pelo desalento.
Não permitas que alguém te negue o direito de expressar-te, que é quase um dever.
Não abandones tua ânsia de fazer de tua vida algo extraordinário.
Não deixes de crer que as palavras e as poesias sim podem mudar o mundo.
Porque passe o que passar, nossa essência continuará intacta.
Somos seres humanos cheios de paixão.
A vida é deserto e oásis.
Nos derruba, nos lastima, nos ensina, nos converte em protagonistas de nossa própria história.
Ainda que o vento sopre contra, a poderosa obra continua, tu podes trocar uma estrofe.
Não deixes nunca de sonhar, porque só nos sonhos pode ser livre o homem.
Não caias no pior dos erros: o silêncio.
A maioria vive num silêncio espantoso. Não te resignes, e nem fujas.
Valorize a beleza das coisas simples, se pode fazer poesia bela, sobre as pequenas coisas.
Não atraiçoes tuas crenças.
Todos necessitamos de aceitação, mas não podemos remar contra nós mesmos.
Isso transforma a vida em um inferno.
Desfruta o pânico que provoca ter a vida toda a diante.
Procures vivê-la intensamente sem mediocridades.
Pensa que em ti está o futuro, e encara a tarefa com orgulho e sem medo.
Aprendes com quem pode ensinar-te as experiências daqueles que nos precederam.
Não permitas que a vida se passe sem teres vivido...
Aproveita o dia,
Não deixes que termine sem teres crescido um pouco.
Sem teres sido feliz, sem teres alimentado teus sonhos.
Não te deixes vencer pelo desalento.
Não permitas que alguém te negue o direito de expressar-te, que é quase um dever.
Não abandones tua ânsia de fazer de tua vida algo extraordinário.
Não deixes de crer que as palavras e as poesias sim podem mudar o mundo.
Porque passe o que passar, nossa essência continuará intacta.
Somos seres humanos cheios de paixão.
A vida é deserto e oásis.
Nos derruba, nos lastima, nos ensina, nos converte em protagonistas de nossa própria história.
Ainda que o vento sopre contra, a poderosa obra continua, tu podes trocar uma estrofe.
Não deixes nunca de sonhar, porque só nos sonhos pode ser livre o homem.
Não caias no pior dos erros: o silêncio.
A maioria vive num silêncio espantoso. Não te resignes, e nem fujas.
Valorize a beleza das coisas simples, se pode fazer poesia bela, sobre as pequenas coisas.
Não atraiçoes tuas crenças.
Todos necessitamos de aceitação, mas não podemos remar contra nós mesmos.
Isso transforma a vida em um inferno.
Desfruta o pânico que provoca ter a vida toda a diante.
Procures vivê-la intensamente sem mediocridades.
Pensa que em ti está o futuro, e encara a tarefa com orgulho e sem medo.
Aprendes com quem pode ensinar-te as experiências daqueles que nos precederam.
Não permitas que a vida se passe sem teres vivido...
sexta-feira, janeiro 23
PALAVRAS SIMPLES
Acredito que a vida tem os seus momentos únicos, inigualáveis.
Penso, contudo, que todos os momentos são importantes.
Acredito que os sentimentos nos chegam como as estações do ano, todos tem o seu tempo e diferentes intensidades.
Acredito que todos temos os nossos negros e os nossos frios e que nos são tão indispensáveis como o quente e o vermelho.
Acredito em pedaços de felicidade suspensos, pendentes de nós.
Acredito que viver é uma questão de atitude.
Acredito que o positivismo e o optimismo poderiam ser a principal oração de todas as religiões. O pessimismo e o negativismo não trazem vantagens nenhumas, dou primazia ao pragmatismo.
Acredito que perseverar na procura é já encontrar, entendo que o benefício está no processo, encontrar é a cereja no topo do bolo.
Acredito no uso do livre-arbítrio, no uso da liberdade e na sinceridade como exigência.
Acredito que errar é crescer forçadamente, isso já acontece com o corpo, é a forma da mente o acompanhar.
Venero quem se acompanha da sensibilidade quando vai para o meio do mundo, ir sozinho é um risco desnecessário.
Sou a favor da realidade mas não me inibo de sonhar, acordado, e gerir assim a caixa de velocidades que lhe confere dinamismo.
Gosto de ter sensações… Gosto de saber que existe vento porque o sinto, de dançar no meio da rua porque o meu corpo tem ritmo, de respirar o mar pelo nariz e inalar a sua imensidão porque sim…
Acredito que ser parvo é uma característica interessante, evita o afogamento no que a vida tem de sério.
Gosto de beijar para saborear o doce.
Gosto de abraçar porque o meu corpo tem necessidade do toque e porque tremer de intensidade não tem preço.
Tenho a cor do sol no peito e a lua presa nos olhos por isso não existem cantos escuros onde não me apeteça.
Sou grande e forte nas paredes da alma porque me alimento de tranquilidade.
Não posso ser definido.
Acredito que a vida tem os seus momentos únicos, inigualáveis.
Penso, contudo, que todos os momentos são importantes.
Acredito que os sentimentos nos chegam como as estações do ano, todos tem o seu tempo e diferentes intensidades.
Acredito que todos temos os nossos negros e os nossos frios e que nos são tão indispensáveis como o quente e o vermelho.
Acredito em pedaços de felicidade suspensos, pendentes de nós.
Acredito que viver é uma questão de atitude.
Acredito que o positivismo e o optimismo poderiam ser a principal oração de todas as religiões. O pessimismo e o negativismo não trazem vantagens nenhumas, dou primazia ao pragmatismo.
Acredito que perseverar na procura é já encontrar, entendo que o benefício está no processo, encontrar é a cereja no topo do bolo.
Acredito no uso do livre-arbítrio, no uso da liberdade e na sinceridade como exigência.
Acredito que errar é crescer forçadamente, isso já acontece com o corpo, é a forma da mente o acompanhar.
Venero quem se acompanha da sensibilidade quando vai para o meio do mundo, ir sozinho é um risco desnecessário.
Sou a favor da realidade mas não me inibo de sonhar, acordado, e gerir assim a caixa de velocidades que lhe confere dinamismo.
Gosto de ter sensações… Gosto de saber que existe vento porque o sinto, de dançar no meio da rua porque o meu corpo tem ritmo, de respirar o mar pelo nariz e inalar a sua imensidão porque sim…
Acredito que ser parvo é uma característica interessante, evita o afogamento no que a vida tem de sério.
Gosto de beijar para saborear o doce.
Gosto de abraçar porque o meu corpo tem necessidade do toque e porque tremer de intensidade não tem preço.
Tenho a cor do sol no peito e a lua presa nos olhos por isso não existem cantos escuros onde não me apeteça.
Sou grande e forte nas paredes da alma porque me alimento de tranquilidade.
Não posso ser definido.
terça-feira, janeiro 20
strong>VOU APAGAR A LUZ E FECHAR O MUNDO
Chega mais perto, aconchega-te no meu abraço.
Encaixa-te nos meus sentires, tu conheces o caminho.
Segue na extensão do teu corpo, estou à porta do desejo,
a olhar para ti...
Linda e resplandescente.
Fica perto, faz frio lá fora,
não me interessa o mundo inteiro, o calor da tua pele chega-me.
Olha-me nos olhos. Sentes?
É o efeito que produzes em mim.
Aqui é sempre quente, aqui tudo é claro.
Tás acesa em mim, escureces o resto.
Fora de ti só há mesmo o resto, e é escuro, e tem sombras.
Eu quero-te.
Sorri para mim, despe-me.
Não tenho inquietações, já derretemos todo o gelo.
Anseio pelo teu beijo. Como caracterizá-lo?
É doce. É suave. É tranquilo e inspira-me.
É o silêncio assumindo o êxtase da sua metamorfose.
Cala-me nos teus lábios, as palavras estão em excesso.
Vou apagar a luz e fechar o mundo.
AMOR
Onde te escondes em mim?
Em que centímetro de pele?
Em que pedaço de sonho?
Em que rasgo de tempo?
Sinto-te agora, presente nos traços que me desenham o corpo.
Tenho a alma resignada à condição de tela,
escrava do teu interesse...
Sou dependência em forma de arte nas tuas mãos....
Amor,
faz-te carne e alimenta-me.
Torna-te líquida nas minhas veias,
realiza-te rimo no meu respirar,
existe na intensidade do meu olhar,
substitui o desejo na minha voz...
Toca-me...
Onde te escondes em mim?
Em que centímetro de pele?
Em que pedaço de sonho?
Em que rasgo de tempo?
Sinto-te agora, presente nos traços que me desenham o corpo.
Tenho a alma resignada à condição de tela,
escrava do teu interesse...
Sou dependência em forma de arte nas tuas mãos....
Amor,
faz-te carne e alimenta-me.
Torna-te líquida nas minhas veias,
realiza-te rimo no meu respirar,
existe na intensidade do meu olhar,
substitui o desejo na minha voz...
Toca-me...
segunda-feira, janeiro 19
O CANSAÇO DE TODAS AS HIPÓTESES
Gostaria de poder escrever mais frequentemente, expelir palavras pelos poros sem cessar, não por ser uma questão de necessidade, suporto tranquilamente a ausência de sol porque a noite não me inquieta, acontece que me bate no peito o "cansaço de todas as hipóteses" e por isso amordaço as opções para não ter de agir. Sim porque há um segundo em que a vida me cansa de a ter agredido. Então paro...
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