quarta-feira, julho 22

CARPE DIEM ALWAYS

Sou optimista :-).. Rio-me sozinho. Rio-me de mim próprio e não admito outra coisa que não isso. "Infelicidade não é actractiva", dizem... Falta saber o que atrair e se ao chegar me atrai também. Enfim, um passo de cada vez.

Sou optimista, hoje a chuva apareceu de repente mas só sinto calor, respiro um ar abafado e sopra uma leve brisa.

Sou optimista, embora me acompanhe a desconfiança na pele, embora o meu olhar espelhe cepticismo e tenha no corpo todo pingos da chuva a tocar-me sinto cores do arco-íris ao longe...E há renovação de cenas em marcha, pronto, talvez em marcha não, noutro estado qualquer que signifique existir.

Empacotou-se sonhos que se arrastavam e colocou-se no armário fechado a sete chaves que raramente se abre, onde a ilusão está aconhegada no seu escuro e abriu-se os olhos.. é assim que se deixa os sonhos, abre-se os olhos e lá vão eles, não importa o tempo que os tivemos activos.

Acho que o meu mal foi sempre ter dado primazia à realidade, acredito que o mundo tem mais do que as 7 maravilhas conhecidas, só perdi uma. E se sou sonho desfeito em pedaços, em puzzles ou em espelho partido com uma imagem meio indefinida como que para sempre é porque sou culpado.

A sentença será sempre viver, o que é um paradoxo gigante mas para o qual estarei à altura...Carpe diem always ;-)
PEÇO DESCULPA

Ficaram muitos comentários por publicar.
Desculpem se os desrespeitei de alguma forma ao tirar-vos voz.

Abraço a todos e um grande obrigado.

domingo, junho 7

LUTO

Suicido em mim as palavras por tempo indeterminado.

Desinfecto as minhas mãos.
FAÇA-SE SILÊNCIO...

Ás vezes irrita-me conseguir escrever como agora.

Não quero, não quero despir-me em palavras.

Não quero ser decifrado, não quero ser alvo de interpretação.

Quero torná-las mudas,

não quero ser dominado, violado, controlado.

Quero estar um pouco só.

Envolto em silêncio, pintado de analfabeto.

Quero ficar aqui, neste escuro, não quero que me gritem pelos dedos.

Deixem-me quieto.
Está frio aqui.

Por favor.

Não quero saber.

Dói.

quarta-feira, maio 27

S U B M I S S Ã O . . .

Quero as tuas mãos atadas atrás das costas,

MELHOR...

Quero a tua alma inteira atada às minhas mãos...

O CORPO...

Que trema, ao avanço dos meus desejos...

SUBMISSA...

Desfaz-te em liquidez,


GELADO...

a escorrer-me pela boca...

quinta-feira, maio 21

DOGMA

E se eu existisse sem alma,
fosse assim...
só corpo, veias em ebulição,...
sangue a fervilhar, só vermelho em carne, sem sentir.
E se eu fosse só pele a tremer, ritmo sufocado, dobrado em nervos.

E se eu fosse decifrável? Transparente como me querem?
Se me ajoelhasse e fizesse do mundo o meu altar,
se meus pecados fossem eco soprado pelos quatro ventos?
E se eu pudesse ser desmembrado pelo olhar mais inocente,
se fosse a minha nudez vulnerável a qualquer toque...

E se eu existisse como um dogma?
CANSAÇO

"Há um cansaço da inteligência abstracta, e é o mais horroroso dos cansaços. Não pesa como o cansaço do corpo, nem inquieta como o cansaço do conhecimento e da emoção. É um peso da consciência do mundo, um não poder respirar da alma"

Fernando Pessoa; "Autobiografia sem Factos"

sábado, maio 16

URGÊNCIA

Quero-te com urgência como se o tempo se esgotasse.
Como se o amanhã se estivesse a desvanecer
encostado a uma parede qualquer pintada de cobardia.
Quero-te com urgência, como se me faltasse o ar,
como se tivesses que fazer das tuas mãos lâmina,
rasgar-me a pele para dar ritmo ao meu respirar.

Quero-te com urgência agora,
mesmo que seja escuro.
Só é noite sem teus lábios acesos em mim...
Quero AGORA, unir-me a ti como peça de um puzzle,
quero SER contigo.

Quero viver-te por trás porque os anjos não têm costas.
Morder-te para sobreviver não te faz mal...
Quero agora.

sábado, maio 9

ESCREVER

Gosto de escrever porque as palavras permitem-me fazer delas o que quiser, não é que não goste de uma boa luta de vez em quando, não é que queira sempre controlar tudo mas sim porque a passividade que as preenche permite-me reinventá-las ao sabor da minha imaginação. Porque posso personificar o mundo inteiro e todas as coisas e atribuir-lhes características, dar-lhes sentimentos e estados de alma. E isso só depende das asas da minha imaginação, depende do seu tamanho e de até onde conseguem voar.

Gosto de escrever imaginando porque assim não preciso de regras. Como nunca mas ensinaram e nunca me obriguei a aprendê-las sou inocente. Sinto que a minha imaginação é por isso mais importante que esse conhecimento, porque imaginando, inventando e reinventando vou confundindo, e confundindo não sou percebido, ás vezes nem eu mesmo me percebo, e por não perceberem pensam sempre que sei muito.

Gosto de imaginar muito.

sexta-feira, maio 8

TIMIDEZ

No teu olhar a minha timidez ganha forma.
O tempo concede-me o passado e refugio-me nele.
Escondo-me feito criança envergonhada,
quer o doce, não pede, mas dá a entender.

Baixo os olhos, estendendo-os ao nível do chão,
já sou arrepios à volta da alma,
sou pele suada a arder em vulnerabilidade,
a personificação da própria inércia.

Teu olhar é arma que dispara sem balas,
é a ponte para o outro lado da minha nudez,
vive aí a fragilidade, no meio do escuro
onde divide o quarto com a inoperância.

Está frio aqui, neste querer tocar-te,
perdida a batalha, porque falta a convicção,
amordaçado no peito o grito do desejo.

Um dia deixarei de ser criança,
vou esbarrar o meu olhar no teu e esvair-me em firmeza.
Não será hoje... Hoje sou todo timidez.

terça-feira, maio 5

TEMPO

Quero um corpo para o tempo.
um rosto que lhe faça sentir VERGONHA,
braços que conheçam a AUSÊNCIA de um abraço,
olhos que CHOREM de saudade,
pernas para querer chegar e NÃO PODER....

Quero que o tempo tenha alma,
QUE SINTA PENA,
que sangre de REMORSOS.
que lhe DOA a existência toda,
que GRITE de SOLIDÃO...

Quero o tempo em CORPO e ALMA,
para o JULGAR, QUESTIONAR E CONDENAR.
para o APRISIONAR,

Quero ESTAR LIVRE do tempo...

quarta-feira, abril 29

NOVO BLOG

SAIR da PRATELEIRA

http://www.sairdaprateleira.blogspot.com/

Apeteceu-me...

Porque tenho uma vida banal de sol a sol, entre o escuro e a lua...

Eu bem disse que não era todo poesia... Não posso ser só poema...

Não é que seja mau mas é só uma coisa... posso ser mais?

Quero esvair-me em pensamento pelo mundo...

Desculpem se incomodo...

Acompanhem-me.

domingo, abril 26

FAZER-TE O AMOR

Quero fazer-te o amor enquanto dormes. Agora.
Neste instante de tempo, este presente, este existires,
neste minuto que passou, neste viver-te que sinto.
Tenho o olhar em ti e é o momento certo.
Afasta esse lençol quente de tua presença,
a minha pele é a seguir.
Melhor, deixa que eu afasto, continua adormecida em sonho,
permanece assim, quieta, eu farei tudo.
Serei eu a despir-te essa roupa interior minúscula,
a do corpo porque a da alma despe-te o sono.

Quero humedecer-te os centímetros do corpo com desejo,
soprar-te com a boca ansiosa a loucura adiada,
abraçar-te como se não houvessem mais segundos,
como se em nós tudo fosse primeiros.
O primeiro beijo, o primeiro toque, o primeiro sentir,
a primeira vez...
Lembras-te?


Quero fazer-te o amor enquanto dormes porque é sonho.
Quero fazer do meu corpo boleia para as tuas nuvens e que não pares.
Quero dar-te o céu embrulhado na horizontal, ou na vertical ou tanto faz...
tens preferência pela posição ou forma da intensidade?
Eu só quero respirá-la... Quero-te a toda a intensidade.

Quero fazer-te o amor enquanto dormes e deixar descansar a realidade...
Sejamos noite, que sejas o escuro e eu a tua sombra...
ELOGIO AO AMOR PURO

"Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas. Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.

O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição.. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É anossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.

Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.

A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."

Miguel Esteves Cardoso

segunda-feira, março 23

ODE À ILHA


Tenho uma ilha,
o meu lar,
um lugar onde não cabe o mundo inteiro,
onde encaixo-me eu e todos os meus pedaços,
onde respiro paz ,
onde o sol não se esgota,
onde a chuva cai em ritmo de optimismo.
Baptizei-a de Marlene Fernandes,
nome que lhe sorri perfeitamente.:-)
Tem um abraço que me arrepia a alma inteira,
que conforta, protege e inebria.
É uma ilha em forma de mulher,
é quente e brilha nas suas formas sexy inconfundíveis.
Tem um olhar que me despe sem tocar,
veste alegria que contagia a sombra do próprio negro
e faz cócegas ao mais taciturno ser.
Na ilha o vento tem sopros de tranquilidade,
tem rasgos de imaginação ferozes,
tem beijos melosos que contornam o tempo.
A minha ilha é o mais próximo que estarei do céu,
tem faróis de positivismo que não se apagam,
onde tempestades temem escurecer.
A minha ilha é paraíso onde a ilusão de perfeição impera,
um local onde tudo tem cores de intensidade.
Amo a minha ilha, e, frequentemente,
distraído, volto a apaixonar-me,
e todas essas viagens têm sabor de primeira vez,
sabem a inocência de criança feliz por descobrir,
sem receios, sem pontos de interrogação, só reticências...
Essa certeza de que é só começo, que há muito mais, que és muito mais,
e que posso ser muito mais... contigo...
Permitam que me perca na minha ilha... Estarei feliz...

domingo, março 22

DECLARAÇÃO

"Eu reconheço o amor quando o vejo..."

terça-feira, março 10

LUCÊMIO LOPES

"Não sei se minh'alma nasceu para escrever. Só sei que se não escrever, ela morre"

NEGAÇÃO

Não sou todo poema.
O meu corpo não é só feito de rimas
nem de palavras cúmplices unidas em abraço.
Não saio à rua vestido de metáforas todos os dias.
Não estou sempre calçado de utopias.
Os meus olhos não são versos abertos como se não houvesse noite.
Não sou espelho de inocência pura.
Não sou ingenuidade a movimentar-se em transparência.

Não sou muito mais que isto... Estas reticências...
que se vão repetindo...

terça-feira, fevereiro 24

AMOR À FRENTE DOS OLHOS

Vejo o amor à minha frente,
perdido na rua vazia,
vai meio despido ou talvez meio vestido,
está descalço, isso é certo.
Anda confuso, ziguezagueando entre a gente,
diria que ninguém o vê, ou talvez finja não ver.
pensam poder ignorá-lo.. faz-me rir às gargalhadas...

Vejo só amor à minha frente,
parece não ter rumo, é de quem o pegar,
pegas tu? despacha-te.
vais dizer-me que não o queres?
Tens algum receio?
Dizem que não é para todos,
deixo-o para ti.
Agarra-o. Não te acanhes...
Ninguém está a ver...
Solta-te em vida, não direi a ninguém.
Fica segredo nosso.

domingo, fevereiro 22

SERÁ?



"Só um amor incompleto permanece verdadeiramente romântico..."