quarta-feira, novembro 11

Gosto de ti


porque consegues ver cores no vento


e eu consigo ver o vento


através dos teus olhos.

quarta-feira, outubro 28

CENTÉSIMO PRIMEIRO POST
Esta é a centésima primeira publicação. Cem ficaram para trás. Muitos sorrisos, lágrimas escondidas, diversos estados de almas, frases simples, momentos complexos, incoerências, espaços em branco, imagens, enfim, tudo o que me apeteceu.. Já tem alguns anos esta página que se vai compondo. Muitas vezes as publicações surgiram irregulares, porque não me obrigo a escrever ou a partilhar, é uma questão de vontade, muitas vezes de preguiça (não mental, são os dedos que se inibem).
Sinto-me abençoado por estar aqui. Aqui onde as palavras se cruzam e me permitem iludir-me nesse sonho de que as posso agarrar.
Também gosto que tu que me lês agora estejas aqui. Preenches-me a página e por isso agradeço a tua presença. OBRIGADO

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Há alguns meses ofereceram-me um Caderno de Fernando Pessoa, é um pequeno bloco de notas, ilustradas página sim página não com frases de Fernando Pessoa, e tinha a seguinte dedicatória;
"Quem mais do que Fernando Pessoa para te ajudar a:
caçar palavras no ar,
escrever palavras avulsas,
encaixar palavras,
ordená-las e desordená-las
Porque:
palavras são sementes de imaginação.
Colocas nas palavras pedaços da tua alma.
Palavras nunca são vazias,
palavras marcam, são poderosas,
palavras cativam, prendem,
palavras amparam... cativam..."

terça-feira, outubro 27

TÍTULO POR DEFINIR
(está silenciado)

Esse silêncio em que te calas enfraquece-me, faz-me vestir pele de humano, nem de grego nem de caboverdeano, nem de qualquer outro Deus de um mundo por descobrir.
Fico impotente por não poder dar ritmo à expressão do teu sorriso, por não poder desenlaçar o teu abraço em mim.
Fico pequenino, do tamanho de uma nuvem sem contéudo, a desvanecer-se em nada...
Fico papel em branco...
À espera que me preenchas...

segunda-feira, outubro 26



MOMENTOS

Ainda que meu corpo seja uma fortaleza, que a minha mente seja muralha intransponível e a força do tempo insuficiente para limitar a elasticidade das minhas crenças irei considerar-me sempre fraco e isso é tudo o que preciso para poder evoluir de forma constante, ser um projecto de crescimento ininterrupto, um processo que ostenta a morte como sombra...


E terei sempre as costas largas.

terça-feira, outubro 20

ASPIRAÇÃO



Quero escrever o mundo com as mãos,
usar o sangue como tinta e sangrar desalmadamente.
Sangrar a alma pela ponta dos dedos.

Quero esgotar hipóteses em intensidade,
inventar e reinventar sensações.
Cansar as pernas por sentir liberdade.

Quero olhar tudo em linha recta,
desmistificar atalhos e desnudar os ângulos mortos.
Ter nos olhos lágrimas que espelham todas as perspectivas.

Aspiração

Ser genuinidade em cada passo, sentimento em cada respirar.
Não ser ninguém mais que não eu próprio.
SONHO
Tenho (para deixar à tua porta) convite para partilha de um sonho.
Não tem hora marcada,
tem o tempo todo,
será eterno ainda que dure segundos.
Já o pintei em rascunho,
testei todos os traços,
misturei todas as cores.
O fundo é branco, cor de perfeição,
está intacto.
Podemos entrar de mãos dadas,
se quiseres.
Poderás adormecer em meu abraço,
acordar onde minha alma tem o centro,
onde tudo acontece...
Faz-te real aqui.
Espero ansiosamente...

terça-feira, outubro 13

SORRIR

Sorriso; o grande fundamento das nossas vidas.

Ostento esta fachada alegre, imponente, altiva e inquebrável, como se eu fosse uma criança (ingénua). Por baixo dela não existem ressentimentos, fissuras, que possam fazê-la abanar e ir contra a natureza de um sorrir que se liberta em processo, ininterruptamente...
Quero o mundo inteiro assim...

domingo, outubro 11

VIDA

Acordou-me uma insónia esta madrugada e, insistente, ousou permancer. Acendi a televisão porque tenho sempre o comando ao lado pronto a disparar para a televisão e a imagem é o fim de um filme que não chego a identificar, confesso que meio ensonado também não me esforcei muito. Retive apenas as palavras escritas na legenda: "A vida é muito semelhante à morte, acontece a todos, quer nos agrade ou não". Apressei-me a registar no telemovel antes que a insconsciência me dominasse. Poderia acrescentar; A vida é muito semelhante à morte, acontece a todos, quer nos agrade ou não, quer acreditemos nela ou não, quer estejamos preparados ou não.

Carpe diem always

segunda-feira, outubro 5

ILHA À VISTA!

Eu quero olhar-te e sentir que a distância se extingue,

que os centímetros se encurtam,

que o tempo se apaga,

que desfaz-se o vazio,

que o futuro está próximo.





Chegará descalço,

nú e apressado,
apertado em mim,

sem se soltar de nós.
Vai ser abraçado,
o elo esperado,

para unir minha alma à tua,

para libertar a ansiedade,

prender a pele à pele.



Calar as palavras...

segunda-feira, setembro 7

CAMUFLAGEM


Camuflado pelo silêncio,
disfarçado com pele de tempo a acelerar,
abraçado pela noite sem que exista madrugada,
de olhos postos no nada, como se fosse de propósito,
coração fechado com cadeados de indiferença,
positivismo aparantemente coxo, sem avançar,
estendido no chão, por baixo da alma imóvel,
a vida inerte, petrificada...

Feito ponte quebrada a desunir margens,
cinzento a eliminar as certezas que eram branco ou preto.
Fim de estrada sem saída ou beco estreito sem atalhos,escolher ser um ou outro é de igual forma inexistir de todo.

Ser assim sem sentido faz parte, fechar os olhos para entrar no escuro faz parte,
ditribuir passos desordenados de razão faz parte, ser um pouco perdido faz parte,
reencontrar-me no sonho dos teus abraços a qualquer hora do dia faz parte.

Disfaçar-me de silêncio não é traço que me complete a tela,
vestir-me de medo seria normal se me sentisse o frio,
disfarçar-me de frio é auto-condenação...

Estar aqui, neste ponto, neste cume, neste espaço poderia ser definição de esquizofrenia mas isso tem consciência?
Tenho-a eu?
Não quero possuir nada, nem a ilusão da consciência, nem a ilusão da sua ausência, chegar-me-ia a doce da loucura se me chegasse a alimentar pelos teus lábios.
Abre-me o teu abraço, penetra a tua alma em mim,
faz-te parede que me sustém e me dá firmeza...
faz-me diluir em confusão... outra confusão que não esta...

sábado, setembro 5

DRAMATISMO

Alguém me elucide se isto é ironia.
Quis amordaçar palavras e consegui. Tarefa bem sucedida. Vivi de alma amordaçada, de coração silenciado de olhar sem expressão e escondi-me no tempo.
Agora busco-as em mim, em cada centímetro, dentro e fora, as palavras e a sensibilidade e... nada. Vazio.
Se escrevo é com esforço, se sinto, é por arrasto, se vivo é por mera questão de sobrevivência. Pelo menos agora, neste instante que é o que me possui... É por aqui que vou ficar preso por agora.
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Engraçado:Conversa por sms da amiga loira Lígia com outra pessoa: Ela diz; Como estás? Já sei, tranquilo :-), mas se precisares de falar tás à vontade. Outra pessoa responde; Lol, tranquilamente com uma dor sem voz e com gritos sem rosto... Com dor a contornar o sorriso cheio de cores... :-)
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Eu Flávio, o que eu gostava era de ser como Pessoa e beber absinto sentado na esplanada do Rossio enquanto fumava ópio em grande quantidade, ter a loucura como fundo e ter momentos em que me pudesse esquecer do universo. Porquê? Porque "o Universo não é uma ideia minha. A minha ideia do Universo é que é uma ideia minha, a noite não anoitece pelos meus olhos, a minha ideia da noite é que anoitece por meus olhos. Fora de eu pensar e de haver quaisquer pensamentos, a noite anoitece concretamente e o fulgor das estrelas existe como se tivesse peso." - (Fernando Pessoa)

quarta-feira, julho 22

CARPE DIEM ALWAYS

Sou optimista :-).. Rio-me sozinho. Rio-me de mim próprio e não admito outra coisa que não isso. "Infelicidade não é actractiva", dizem... Falta saber o que atrair e se ao chegar me atrai também. Enfim, um passo de cada vez.

Sou optimista, hoje a chuva apareceu de repente mas só sinto calor, respiro um ar abafado e sopra uma leve brisa.

Sou optimista, embora me acompanhe a desconfiança na pele, embora o meu olhar espelhe cepticismo e tenha no corpo todo pingos da chuva a tocar-me sinto cores do arco-íris ao longe...E há renovação de cenas em marcha, pronto, talvez em marcha não, noutro estado qualquer que signifique existir.

Empacotou-se sonhos que se arrastavam e colocou-se no armário fechado a sete chaves que raramente se abre, onde a ilusão está aconhegada no seu escuro e abriu-se os olhos.. é assim que se deixa os sonhos, abre-se os olhos e lá vão eles, não importa o tempo que os tivemos activos.

Acho que o meu mal foi sempre ter dado primazia à realidade, acredito que o mundo tem mais do que as 7 maravilhas conhecidas, só perdi uma. E se sou sonho desfeito em pedaços, em puzzles ou em espelho partido com uma imagem meio indefinida como que para sempre é porque sou culpado.

A sentença será sempre viver, o que é um paradoxo gigante mas para o qual estarei à altura...Carpe diem always ;-)
PEÇO DESCULPA

Ficaram muitos comentários por publicar.
Desculpem se os desrespeitei de alguma forma ao tirar-vos voz.

Abraço a todos e um grande obrigado.

domingo, junho 7

LUTO

Suicido em mim as palavras por tempo indeterminado.

Desinfecto as minhas mãos.
FAÇA-SE SILÊNCIO...

Ás vezes irrita-me conseguir escrever como agora.

Não quero, não quero despir-me em palavras.

Não quero ser decifrado, não quero ser alvo de interpretação.

Quero torná-las mudas,

não quero ser dominado, violado, controlado.

Quero estar um pouco só.

Envolto em silêncio, pintado de analfabeto.

Quero ficar aqui, neste escuro, não quero que me gritem pelos dedos.

Deixem-me quieto.
Está frio aqui.

Por favor.

Não quero saber.

Dói.

quarta-feira, maio 27

S U B M I S S Ã O . . .

Quero as tuas mãos atadas atrás das costas,

MELHOR...

Quero a tua alma inteira atada às minhas mãos...

O CORPO...

Que trema, ao avanço dos meus desejos...

SUBMISSA...

Desfaz-te em liquidez,


GELADO...

a escorrer-me pela boca...

quinta-feira, maio 21

DOGMA

E se eu existisse sem alma,
fosse assim...
só corpo, veias em ebulição,...
sangue a fervilhar, só vermelho em carne, sem sentir.
E se eu fosse só pele a tremer, ritmo sufocado, dobrado em nervos.

E se eu fosse decifrável? Transparente como me querem?
Se me ajoelhasse e fizesse do mundo o meu altar,
se meus pecados fossem eco soprado pelos quatro ventos?
E se eu pudesse ser desmembrado pelo olhar mais inocente,
se fosse a minha nudez vulnerável a qualquer toque...

E se eu existisse como um dogma?
CANSAÇO

"Há um cansaço da inteligência abstracta, e é o mais horroroso dos cansaços. Não pesa como o cansaço do corpo, nem inquieta como o cansaço do conhecimento e da emoção. É um peso da consciência do mundo, um não poder respirar da alma"

Fernando Pessoa; "Autobiografia sem Factos"

sábado, maio 16

URGÊNCIA

Quero-te com urgência como se o tempo se esgotasse.
Como se o amanhã se estivesse a desvanecer
encostado a uma parede qualquer pintada de cobardia.
Quero-te com urgência, como se me faltasse o ar,
como se tivesses que fazer das tuas mãos lâmina,
rasgar-me a pele para dar ritmo ao meu respirar.

Quero-te com urgência agora,
mesmo que seja escuro.
Só é noite sem teus lábios acesos em mim...
Quero AGORA, unir-me a ti como peça de um puzzle,
quero SER contigo.

Quero viver-te por trás porque os anjos não têm costas.
Morder-te para sobreviver não te faz mal...
Quero agora.

sábado, maio 9

ESCREVER

Gosto de escrever porque as palavras permitem-me fazer delas o que quiser, não é que não goste de uma boa luta de vez em quando, não é que queira sempre controlar tudo mas sim porque a passividade que as preenche permite-me reinventá-las ao sabor da minha imaginação. Porque posso personificar o mundo inteiro e todas as coisas e atribuir-lhes características, dar-lhes sentimentos e estados de alma. E isso só depende das asas da minha imaginação, depende do seu tamanho e de até onde conseguem voar.

Gosto de escrever imaginando porque assim não preciso de regras. Como nunca mas ensinaram e nunca me obriguei a aprendê-las sou inocente. Sinto que a minha imaginação é por isso mais importante que esse conhecimento, porque imaginando, inventando e reinventando vou confundindo, e confundindo não sou percebido, ás vezes nem eu mesmo me percebo, e por não perceberem pensam sempre que sei muito.

Gosto de imaginar muito.