sexta-feira, janeiro 25

"DEDICAÇÃO À HONRA DE ESTAR VIVO"

Gosto de pessoas.

Afirmo com convicção este facto e essas pessoas que gosto sorriem, dizem que sou maluco e fazem-me cócegas com esse dizer e fazem-me soltar gargalhadas alucinadamente espontâneas.

Será assim tão descabido? Não me parece que o seja porque não encontro nada de tão fascinante como essa gente que me circunda sem querer e sem saber porquê. Gente que vem de parte incerta indo para lado nenhum e se vai perdendo no meio do nada que lhes persegue, como a mim.

Jorge de Sena diz que se trata da "dedicação à honra de estar vivo", diz que esse gostar traduz "o amor ao nosso semelhante, no que ele tem de único, de insólito, de livre e de diferente", eu, com as minhas limitações digo apenas que se trata de uma forma de curiosidade disfarçada de interesse que me leva a querer saber os porquês de cada ser e conhecer essa unicidade que lhes é característica.

Se "ser diferente depende sempre do ponto de onde cada um vê a realidade do outro" como diz uma grande amiga minha, penso que tenho muitas diferenças porque tenho muitos pontos de onde observar e de lá, do alto do meu mundo, a tentativa de descodificar sorrisos, abraços, palavras não ditas, silêncios gritantes em olhares despidos, nunca me parece suficiente mas não me canso nem desespero...

Aguardo apenas que a paciência me arrepie o corpo porque sei que é condição necessária para te poder perceber melhor a ti que és pessoa e a mim que vou tentando (me) ser...

Porque sim... porque sou arrogante e penso que as perspectivas que tenho são só minhas e só as partilho com quem eu quiser e achar que é pessoa...

És mesmo pessoa?

quinta-feira, janeiro 10

ACABEI-ME...
Porque sim, porque me falta, porque me falto, porque me ausento, porque me fujo, porque não me quero, porque não me apetece, porque não ou então porque sim... Interessa? Parece confuso? Claro que sim... É mesmo. Se não fosse, iria parecer sê-lo? Mas onde está a confusão? Na minha cabeça? Na tua? Interessa? Porquê tantas perguntas? Talvez porque não existam respostas, mas espera, agora não percebi, se não existem respostas para quê mais perguntas? Não seria melhor procurar logo as respostas? que confusão... voltemos ao príncipio. Onde começou? Na inexistência, na insuficência? sim, na falta, na ausência e nessas coisas todas que demonstram que há espaços em branco por preencher. Começa sempre na necessidade, se assim não fosse iria eu molestar este teclado com as minhas parvoíces e fazer emergir este descontrolo que me circula nas veias? Provavelmente não... digo eu, mas que sei eu? nada, esse é o meu consolo, ou não... se calhar é o meu desconsolo. Percebes?
Então explica-me por favor...
Esquece, já não quero saber, ou melhor, deixei de querer, vou deixar-me destas coisas...
É melhor para ti.
Acabei-me...

quarta-feira, janeiro 9

SOU TODO INSUFICIÊNCIAS...

terça-feira, junho 12

HINO AO ACONCHEGO

Metamorfose,
fim de processo iniciado no abraço,
passageiro entregue,
levado na boleia do beijo.

Discernimento,
a loucura disfarçada,
o raiar do silêncio, abafado,
gemido que grita no olhar.

Intensidade
pintada de branco,
na nudez de passividade que veste
o tempo.

Tatuagem,
embora líquida,
provoque no corpo o naufrágio
da necessidade de toque.

Abandonada seja a saudade

sexta-feira, junho 8

NAS COSTAS

sempre a preguiça... sempre a mesma cruz.. sempre o mesmo peso...

terça-feira, março 27

SENTIDO DESFIGURADO

Tenho em mim tantos pensamentos por libertar.

Tenho a liberdade acorrentada na garganta da alma sem a soltar, muda, coitada...

Tenho-a, e por essa razão, ela não passa disso mesmo, um pensamento. Talvez se a libertasse pudesse ser outra coisa diferente, com um nome diferente e talvez até transmitisse ideias diferentes e outras coisas igualmente diferentes também...

Sou por isso também devaneios em fuga, sou incoerencias (mais uma vez), estendidas ao sol, sou pedaços de insubmissão à procura do rumo e muitas vezes sou apenas...

Quisera ser mais do que liberdade presa em coisa alguma ou inexistência a vaguear em rasgos de imprecisão...

Quisera apenas que tivessem sentido as palavras que escrevo sem querer ou que sem sentido pelo menos algo dissessem...

Quisera ter a definição do que me falta e onde perdi (ME)...

quinta-feira, janeiro 25

ENSAIO INACABADO

Razões? Todas ou nenhumas. Certezas? As suficientes para serem inacreditáveis. Esperança? Com certeza, bastante, ou então não!... Talvez em quantidade o suficiente para suscitar as mesmas dúvidas de sempre... Confusão? Certamente que sim… também incoerência, indefinição e outros pedaços ainda não identificados…

Porque sinto uma espécie de cansaço anormal sobre o tema mais banal e ao mesmo tempo especial, complexo, controverso, extenuante, pintado de incertezas sobre telas de esperança que já existiu, o amor.

Percebe-se pelo parágrafo anterior que qualificar o amor é motivo suficiente para limitar a existência de neurónios, é provavelmente o sujeito que mais atributos pode ter associado e isso poderia ser razão suficiente para estar aqui a impor dinâmica a este conjunto de teclas. Contudo, a minha intenção não é adjectivar esse sujeito nem sequer tentar defini-lo ou dissertar sobre a indefinição que lhe é característica, a minha intenção é desmembrar-me deste cansaço que me arrasta, é emancipar-me desta insegurança aparentemente excessiva que me possui e libertar meu pensamento da inutilidade processual que lhe prende.

Não é usual os cansaços consumirem-me, sorrio perante a naturalidade da sua existência, contudo, encontro-me a pensar demasiado o amor, e é isso que me cansa brutalmente. Penso o amor com o ridículo que Álvaro de Campos lhe atribui, constato que todas as cartas de amor são mesmo ridículas e que ridículas são também todas as palavras esdrúxulas.

Penso o amor como um anestésico indispensável em intervenções cirúrgicas que pretendam atenuar a solidão, a inactividade emocional, a insensibilidade e o vazio sentimental ou então incrementar a velocidade da circulação sanguínea à boleia da intensidade...

Confesso-me cansado de pensar tanto o amor.. dou este ensaio por inacabado... pensa-o tu um bocadinho...


sexta-feira, janeiro 5

Sinto-me tanto mas não me apetece...

sexta-feira, dezembro 1

ALGURES no meio do mundo sobrevive;

Um pensamento encalhado no porto das memórias,
Uma onda que não chega a atingir a praia,
Um raio de sol que não aquece o chão,
O beijo que não humedece os lábios,
Um abraço que não toca a alma,
Um corpo que ama sem encaixar,
Um olhar que se perde sem ver

Subsiste;

A liberdade presa em coisa alguma,
Porque existem canetas que só escrevem
E melodias sem letras que lhe dêem voz...

Cresce;

O amanhã pendente,
O odor de saudade a libertar-se no presente.
O estar de mim ausente,
(Porque me tornei líquido
E me dei a beber a ti, loucura...)

Transformei-me num desejo mal calculado,
(Engarrafado) e agora vomitas-me em litros...

O resultado;

Andar sem chegar ou entao não querer chegar
(Para evitar ter andado)

Querer estar perdido ou então não se chegar a encontrar
(Para nunca se ter perdido)

Muita confusão na cabeça desta tinta que me sangra...

Existem segundos que nunca chegam a passar e é aí que quero ser...

INEXISTIR PELA MANHÃ

No caminho runo à aceitação da responsabilidade diária que me é destinada, à velocidade do comboio a passar pelas estações, apressadamente, passa também um pensamento que para mim tem tanto de original como de irrealizável e absurdo.

Hoje apetecia-me inexistir de manhã. Suspender a minha existência por um período de tempo calculado até que o sol deixasse de estar mal disposto e acordasse para a vida com a intensidade que lhe é característica. Aceitando o facto do seu aparecimento diário ser incontornável, tal como eu assumir aquelas responsabilidades que me obrigo a realizar para não vestir o fato do "parece mal", pelo menos que sorria de manhã e não acorde com os raios fora do céu.

Poderia aparecer na vida perto da hora de almoço, mesmo a tempo de aperitivo que lhe precede...

O REGRESSO do que nunca foi

Ansiosamente esperava pelo dia em que conseguisse libertar-me da preguiça onde estava enjaulado e pudesse voltar a preeencher folhas em branco.

Como sei que a ânsia, na maioria das vezes, é prejudicial, esperei que passasse. Hoje escrevo sem ânsia, sem desespero, sem qualquer tipo de motivação excedente e sem qualquer objectivo que possa me confidenciar.

Apeteceu-me e pronto. Sentei-me e escrevi. Aqui estou eu. Eu que me ature, vocês não são obrigados.

domingo, julho 23

TRANSPARENTE

Grito calado no silêncio,
entre o ruído ausente e a esperança da sua presença.

Abafar absurdo de uma vontade
presa na sombra de um pedido latente...

Palavras aniquiladas, sufocadas por cobardia,
escritas em olhares perdidos, cegos sem se importar...

Ensaio de loucura suspensa na mente, congelada,
espelha a anormalidade que, na realidade, tende para o banal.
________________

Falo da vida como se não a entendesse,
complexificando o evidentemente simples para dar corpo à dúvida.

Rejeito a transparência
YAWP

Ainda a madrugada espera o cântico sublime que acompanha o nascer do sol para ser embalado para o adormecer, já os meus pensamentos rotineiros sobre nada são invadidos por divagações mentais que me atrevo a obrigar permanecer.

Lembro-me de frases que tentam definir vida... A vida é um carrocel, só tens de te sentar e aproveitar a viagem, consciencializo as ascensões que nos colocam o céu nas mãos mas também as descidas vertiginosas que nos apresenatam o abismo, que não temos prazer nenhum em conhecer.

Lembro-me da frase de um amigo que afirma sempre, no meio de gargalhadas, que a vida são férias que a morte nos dá e então penso: porque razão as pessoas só têm férias durante um mês (o meu lado optimista) nos doze meses que constituem o ano sendo que tudo o resto é morte.. Se a nossa maior ambição é a vida, porque não temos férias onze meses por ano e então quando tivéssesmos cansados de tanta vida ficaríamos um mês a morrer na depressão abismal de cair nas rotinas que nos acorrentam a liberdade no "têm que ser é a vida"...

Contudo, e apesar disto, o que hoje mais me preenche os espaços no lugar onde surge o pensar é o debate sobre a nossa auto-suficiência para dominar/controlar a vida.
A vida é uma página em branco que só tu podes preencher, é um poema com forma mas sem conteúdo e tu és o responsável por escrever os versos pois é certo que ninguém o fará por ti. Esta ideia não é única, existem outras contrárias. Garcia Marquez começa um dos seus mais conhecidos poemas da seguinte forma; "se eu não fosse uma marionete de trapos...", em que o fatalismo do destino é um determinismo inultrapassável, o que nos iliba da responsabilidade de nos responsabilizarmo-nos e é um pouco diferente de decidir sobre a influência de determinismos light, quer sejam sociais, económicos, culturais, etc.

Recuso a ideia de ser um boneco manejado pelo inevitável. Aspiro ser comandante da vida, não um escravo, não pretendo ser tela onde se esboçam pedaços de vida, quero pintar o quadro completo de mim sobre o fundo que a minha imaginação me permitir desenhar.

Não é minha intenção responder aos desafios, a minha realização é criá-los, é jogar na antecipação, não me assenta bem o smoking da passividade. A minha esperança é despir-me desse contrangimento.

Vou gritar o meu bárbaro yawp nos ouvidos do mundo.

quarta-feira, julho 5

DENTRO DE UM CUBO DE GELO

Quando nasce numa mente um intenso desejo de mudança, a única solução é mesmo mudar, depois desse desejo passar por todas as fases que uma criança passa, depois do seu nascimento até se tornar adulta, o ser que o fez nascer não pode deixá-lo morrer como tudo o resto. A única solução é fazê-lo perpetuar-se dentro de um cubo de gelo, aí tudo será diferente, não existirá dor nem alegria, tristeza ou felicidade, será tudo tão normal como o cubo de gelo, não haverá intensidade porque nada será nem mais nem menos, simplesmente será. Um cubo de gelo evita a banalidade do dia a dia, evita os desgostos de amor, as ilusões dos sorrisos, afasta-nos de todas as mentiras que a verdade nos faz acreditar.
Olhamos sempre para a realidade com olhos de espanto como se nunca a tivéssemos vivido, mas dentro de um cubo de gelo a realidade não nos espanta, não nos altera, não porque estejamos indiferentes a ela, não porque sejamos insensíveis e frios mas só e apenas porque é real e não tem definição nem adjectivos que a qualifiquem.
Dentro de um cubo de gelo, a realidade é real, o sonho é o sonho, a felicidade é... Assim como a tristeza e a sua naturalidade, reina e sopra, flutua com o vento...

INSUFICIÊNCIAS...

Numa praia deserta,
numa casa abandonada,
num navio naufragado,
numa vela apagada,
jazem memórias de um sonho inacabado,
de uma metade vida por completar,
uma realidade por viver,
uma verdade por confirmar...

sexta-feira, junho 30

PESSOAS...


Não interessa estares longe ou perto, o que interessa é que existes para que eu possa sentir a tua falta. Não é que sejas diferente, é que não existe ninguém igual a ti...


A vida mede-se pela intensidade das coisas, não pelo tempo que duram. Só a intensidade com que as vivemos pode fazer com que sejam eternas, ainda que se desgastem no futuro ausente..

Obrigado por me teres dado pedaços de vida. Sei que agora me faltam menos para me ir completando na vida...


Independentemente do tempo que nos vivemos, serás sempre tatuagem, nunca cicatriz...


Tenho pedaços de mim só teus que ninguém mais vai ter...

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Alguém descobriu que todas as pessoas que entram na nossa vida não têm obrigatoriamente de permanecer. Muitas delas surgem com missões específicas, entram para nos ensinar algo ou para aprender e depois desvanecem-se no inexistir... Fica a sombra da saudade.

terça-feira, junho 6

"O que eu gostava era de poder falar na tua boca para que as tuas palavras fossem minhas e pudesse permanecer silencioso ao teu lado."

Pedro Paixão
MULHERES

Será que elas sabem o poder que exercem sobre os homens?

Não me refiro a elas famosas nem particularmente a elas que não o são... Apenas refiro-me a vocês, simplesmente mulheres, de olhar intenso, de face limpa, que transpiram sensualidade em cada passo que dão. Que fabricam olhares petrificados como o que vi há pouco e que hipnotizam sem querer.

Refiro-me àquele olhar meio oculto, meio enigmático que revelam. Refiro-me ao suave mas decidido movimento que nos leva os olhos.

Não me refiro ao sorriso enfeitiçador nem ao silêncio ensurdecedor que apenas dá eco à nossa imaginação.

Não me refiro sequer à vossa capacidade para nos manipular como marionetas quando há um objectivo a atingir.

Não me refiro também à arte de ser camaleão que vocês tão bem personificam...

Não me refiro a nada em particular mas à essência que é o vosso todo..

Sei lá, não é fácil ser escravo...

O pior é que por vezes é agradável...
EYES WIDE SHUT


Completamente às escuras, de olhos bem fechados...

O beijo. Esse que acorda a vida, que te dou. Lábios húmidos, molhados de desejo, sobre os teus, ansiosos.


Um choque frontal, puramente acidental, que vai deixar cicatrizes.

Minha língua entrelaçada na tua em forma de suave súbita violência.

Prendem-se nossas almas à medida que se nos aperta o abraço para não abandonarmos o arrepio que nos despe.

Não me refiro já a mim, nem a ti, somos nós a ensaiar a dança da intensidade para actuarmos quando abrirmos os olhos.

Sinto corpo meu mais quente, unido ao teu, inflamado de necessidade mais do que vontade e não me atrevo a libertar-te.

Amarro mais intensamente a minha língua na tua para que não te soltes e com os meus lábios selo o beijo que te condena a esta doce eternidade fechada em mim...

segunda-feira, junho 5

PERSONIFICAÇÃO DE SENTIRES

Há pedaços de vida que se soltam...
Há vida em pedaços a libertar-se...
Há realidade a desvanecer-se em coisa alguma.
Há pequenos nadas a chocar na realidade.
Existe abstracção a definir loucura,
existe na loucura uma certa indefinição.
Existem paradoxos presos no acaso.
existe o acaso vestido de antíteses,
existe uma necessidade de doer pendente.
Existe uma dor de sentir ausente.
Existe ausência no meio de tudo,
existe tudo, sem querer, no vazio...
Existe esta estupidez sem sentido,
assim como existe tentar configurar a estupidez.
Existe um sorriso livre por aí...
Existe um sonho preso numa vela que se apaga.
Existe a sombra de um desejo que se desfaz em abstracção...
Existe vida...
Existe...