COMUM ESTRANHO"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas que já têm a forma do nosso corpo e esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares... é o tempo da travessia, e se não ousarmos fazê-la teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos". (Fernando Pessoa)
terça-feira, março 22
COMUM ESTRANHOquarta-feira, fevereiro 9
CEPTICISMO
Sou insuficiente uma vez mais. Acordo, esforçado, abraçado à dor nos olhos que de tempos a tempos me assola fatalmente. Sempre o amor como catalisador e o resto do mundo como vítima. Compreendo o amor mais do que queria, vivo-o mais do que o compreendo, e assim é que está bem, mas esse viver nunca é pacífico, também não é suposto que o seja. Nunca percebi muito bem para onde o amor me tem tentado levar mas facilmente percebo quando os caminhos são errados. Nesta realidade em que vivo e que presunçosamente sempre me pareceu minha, o amor chega como condição necessária à minha existência e eu aceito esse facto como se fosse hora do jantar, só não sei se hoje quero beber água, talvez não seja preciso para que me sacie inteiramente.
À parte de todas as certezas que tenho, as tais… de que o amor não pode ser definido (eu poderia chamar-me amor), de que controlá-lo não é uma utopia, é uma irrealidade consumada, e aspirar a algo que se possa parecer com uma tentativa de o fazer é não menos do que um devaneio próprio dos loucos em virtude de terem tempo de sombra no tempo que lhes está destinado, se eu quiser colocar um parêntesis sobre este assunto que meus dedos forçosamente querem gritar, como se fosse possível colocar o amor fechado entre dois mundos ou deixá-lo de molho, reservar, para usar mais tarde apercebo-me que a clarividência chega do escuro (e acendo a luz), que o melhor momento para ver o amor é no instante em que a noite cai e incontornavelmente se passa a fazer parte dela.
Claro que essa noite que chega, ciclicamente, como que vestida por fases não passa disso mesmo, o que ela é é apenas isso, escuridão total por ausência de luz, preto por ausência de cores ou por conter todas nela, não tenho bem essa certeza, sou céptico.
sábado, janeiro 8
quarta-feira, setembro 29
sábado, julho 17
terça-feira, maio 11
quinta-feira, maio 6
Acaso, meu pai, disfarçou-me de humano e eu religiosamente ajoelho-me perante essa realidade. Sou fruto dessa metamorfose inesperada e é mais ou menos isso que sei e me é suficiente.
Adoptei do acaso uma espécie de inconstância inesperada e uso-a como lanterna quando fica escuro... agora não, neste acontecer não tenho arma nenhuma, sou eu de pele à luz e sem consciência de precisar disso. Aliás, sou eu sem consciência. A consciência também não precisa de mim.
Sou filho do acaso. Estou a acontecer.
quarta-feira, maio 5
terça-feira, maio 4
terça-feira, abril 27
CALA-TE NA MINHA PELEFaz uso dessa liberdade que ostentas orgulhosamente,
domingo, abril 18
Há quase um ano não´screvo.
Pesada a meditação
torna-me alguém que não devo
interromper na atenção.
Tenho saudades de mim,
de quando, de alma alheada,
eu era não ser assim,
e os versos vinham de nada.
Hoje quanto faço,
´screvo sabendo o que digo...
para quem desce do espaço
este crepúsculo antigo?
Fernando Pessoa
terça-feira, dezembro 1
Traço palavras em branco, não me atrevo a esforçar-me mais,
Pudesse eu traduzir teu sorriso indecifrável,
contornar o brilho que emanas de teu olhar sem qualquer sombra.
Pudesse eu ser espelho e arriscar reproduzir-te sem falhas,
aspirar ser lago limpo e transparente e fazer de ti lua, altiva, imponente, omnipresente...
Ao alcance dos meus olhos...
quarta-feira, outubro 28
terça-feira, outubro 27
TÍTULO POR DEFINIR (está silenciado)
Esse silêncio em que te calas enfraquece-me, faz-me vestir pele de humano, nem de grego nem de caboverdeano, nem de qualquer outro Deus de um mundo por descobrir.
Fico impotente por não poder dar ritmo à expressão do teu sorriso, por não poder desenlaçar o teu abraço em mim.
Fico pequenino, do tamanho de uma nuvem sem contéudo, a desvanecer-se em nada...
Fico papel em branco...
À espera que me preenchas...
segunda-feira, outubro 26

terça-feira, outubro 20

usar o sangue como tinta e sangrar desalmadamente.
Sangrar a alma pela ponta dos dedos.
Quero esgotar hipóteses em intensidade,
inventar e reinventar sensações.
Cansar as pernas por sentir liberdade.
Quero olhar tudo em linha recta,
desmistificar atalhos e desnudar os ângulos mortos.
Ter nos olhos lágrimas que espelham todas as perspectivas.
Aspiração
Ser genuinidade em cada passo, sentimento em cada respirar.
Não ser ninguém mais que não eu próprio.
Não tem hora marcada,
tem o tempo todo,
será eterno ainda que dure segundos.
Já o pintei em rascunho,
testei todos os traços,
misturei todas as cores.
O fundo é branco, cor de perfeição,
está intacto.
Podemos entrar de mãos dadas,
se quiseres.
Poderás adormecer em meu abraço,
acordar onde minha alma tem o centro,
onde tudo acontece...
Faz-te real aqui.
Espero ansiosamente...





